SOS Mata Atlântica chega aos 40 anos com 44 mi de árvores

Com 44 milhões de árvores plantadas, Fundação SOS Mata Atlântica lança relatório de 40 anos na SOBRE2026 em Brasília

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A Fundação SOS Mata Atlântica completa 40 anos em 2026 alcançando a marca de quase 44 milhões de árvores nativas plantadas e cerca de 24 mil hectares em processo de restauração no bioma, uma extensão territorial que equivale a mais do que o dobro da área da cidade de Paris.

Os dados consolidados fazem parte do relatório “Nossa marca é a restauração”, lançado durante a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE2026), realizada entre 27 e 31 de julho de 2026 na Universidade de Brasília (UnB). O documento reúne os resultados e aprendizados acumulados pela instituição desde que suas ações de recuperação florestal ganharam escala, há 25 anos.

Entre 2000 e 2025, a entidade executou 2.186 projetos de restauração, atuando em 686 municípios paulistas e brasileiros em parceria com 1.700 empresas. A metodologia desenvolvida combina o plantio de mudas nativas, manutenção de áreas, monitoramento contínuo e pesquisa científica aplicada para a formação de florestas jovens e biodiversas.

Restaurar a Mata Atlântica é devolver a floresta a territórios que dependem dela para ter água, biodiversidade e qualidade de vida. Os resultados reunidos no relatório mostram que a recuperação é possível, mas precisa ser acelerada e fortalecida, ao mesmo tempo que protegemos as florestas maduras que ainda permanecem de pé”, ressalta Rafael Bitante Fernandes, gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.

Monitoramento e Uso do Solo

desmatamento. SOS Mata Atlântica
Divulgação/Governo SP

O relatório traz uma análise sobre a evolução da cobertura vegetal em 2.416 propriedades rurais parceiras entre os anos de 2016 e 2023. O levantamento apontou que a cobertura florestal nesses imóveis cresceu, em média, 19,8%.

Apesar do avanço positivo, o estudo identificou que 11% das propriedades analisadas registraram um fenômeno ambíguo, com restauração em determinada parcela da área e perda de vegetação em outra.

Além disso, o impacto isolado dos projetos sobre a conectividade estrutural das bacias hidrográficas situou-se geralmente abaixo de 5%, diferença explicada pela desproporção entre a escala das áreas recuperadas e a dimensão total das bacias. O dado reforça a necessidade de direcionar novas ações de plantio para territórios estrategicamente relevantes.

Retorno da Fauna e Estudo em Itu

Os impactos diretos da recuperação florestal na fauna silvestre foram mensurados no Centro de Experimentos Florestais, localizado em Itu (SP). Instalado em uma antiga fazenda de café, o laboratório a céu aberto abriga 386 hectares restaurados e funciona como sede da SOS Mata Atlântica.

Em uma década de monitoramento no local, o número de espécies de aves registradas saltou de 81 para 208, representando um crescimento de 156,7%. Entre as espécies identificadas estão a perdiz e a curica, ambas sob ameaça de extinção.

As pesquisas de campo também confirmaram a presença de mamíferos de médio e grande porte, como a onça-parda, a lontra e o cachorro-do-mato. As análises concluíram que a dinâmica e a riqueza de espécies nas áreas recuperadas já se equivalem aos índices registrados em remanescentes de florestas nativas maduras da região.

Impacto Econômico e Desafios do Código Florestal

SOS Mata Atlântica
Reprodução

A cadeia produtiva da restauração florestal envolve coletores de sementes, viveiristas, técnicos agrícolas, empresas de plantio, proprietários rurais e equipes de manutenção. De acordo com estudos citados no relatório, a restauração ativa tem capacidade de gerar até 42 postos de trabalho a cada 100 hectares, com potencial para estruturar até 2,5 milhões de empregos diretos no país.

Contudo, o passivo ambiental no bioma permanece desafiador: estimam-se pelo menos 2,76 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) pendentes de recuperação na Mata Atlântica, conforme prevê a legislação do Código Florestal.

Participação na SOBRE2026

Durante a conferência em Brasília, a equipe técnica da instituição apresenta trabalhos focados no uso da tecnologia e da ciência cidadã no monitoramento ambiental:

  • Monitoramento Hidrológico (30/07): A coordenadora de restauração Ana Beatriz Liaffa participa do simpósio dedicado à avaliação da qualidade da água por meio do programa Observando os Rios;
  • Tecnologia e Geoprocessamento: Apresentações práticas sobre a aplicação de drones na medição de cobertura do solo;
  • Pesquisa Acadêmica: Divulgação de dados preliminares desenvolvidos em parceria com a Esalq/USP sobre os fatores socioeconômicos que motivam proprietários rurais a restaurarem suas terras.
  • Publicado: 27/07/2026 12:12
  • Alterado: 27/07/2026 12:12
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria