Vazamento químico em Manaus chega ao 5º dia com 414 atendimentos

Ocorrência em fábrica de resinas segue mobilizando equipes de emergência; um óbito é investigado e multas aplicadas à empresa somam R$ 22,4 milhões

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O vazamento de monômero de estireno em uma indústria de Manaus chegou ao quinto dia neste domingo (19), mantendo equipes de emergência mobilizadas para conter a ocorrência. De acordo com o balanço mais recente, 414 pessoas receberam atendimento médico após apresentarem sintomas relacionados à exposição ao produto químico.

O incidente ocorreu na tarde da última quarta-feira (15), em um dos três tanques de armazenamento da fábrica da Innova, empresa fabricante de resinas termoplásticas e transformados plásticos. Segundo a companhia, uma elevação anormal da temperatura provocou a liberação de vapores. A empresa informou que os dispositivos de segurança funcionaram para controlar a situação e afirmou que não há riscos nos demais equipamentos da unidade.

Maioria dos pacientes apresentou sintomas leves

Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que, dos 414 atendimentos registrados, 157 ocorreram na rede pública de urgência, 200 em hospitais particulares e 57 em unidades municipais. A maior parte dos pacientes apresentou sintomas leves, como ardência nos olhos e desconforto respiratório, sendo liberada após atendimento.

No balanço divulgado pelas autoridades, dois pacientes permaneciam internados, sendo um deles em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Um homem de 67 anos morreu após buscar atendimento médico, mas o governo do Amazonas informou que ele possuía doença respiratória crônica e que, até o momento, não foi constatada relação direta entre o óbito e o vazamento. O caso segue sob investigação.

Empresa é multada e unidade permanece parcialmente interditada

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou multa de R$ 12,5 milhões à empresa por poluição atmosférica. Já a Prefeitura de Manaus impôs outras duas autuações, que totalizam R$ 9,9 milhões, por poluição do ar, do solo e de corpo hídrico. As penalidades somam R$ 22,4 milhões. A empresa informou que não comentaria as autuações municipais.

Além das multas, a unidade permanece parcialmente interditada por determinação do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb). Apenas equipes técnicas autorizadas podem acessar o local até que as condições de segurança sejam restabelecidas.

Bombeiros mantêm operação e população deve evitar a região

Segundo o Corpo de Bombeiros, não houve incêndio nem explosão. As equipes continuam realizando o resfriamento do tanque e a sucção interna do produto para evitar novos riscos. A área em um raio aproximado de 300 metros permanece isolada. Drones utilizados pela Prefeitura identificaram fissuras em parte do tanque, indicando a continuidade do vazamento.

Enquanto a situação segue sendo monitorada, o governo do Amazonas avaliará quando será possível retomar as atividades de empresas, escolas e serviços públicos da região afetada. A Prefeitura orienta que a população evite a área e, em caso de forte odor químico, se afaste imediatamente do local. Pessoas com falta de ar, dor no peito, desmaios ou agravamento dos sintomas devem acionar o Samu pelo telefone 192.

  • Publicado: 19/07/2026 19:15
  • Alterado: 19/07/2026 19:15
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress