Lula abre Assembleia da ONU e defende soberania do Brasil

Em discurso na ONU, Lula defende o sistema eleitoral brasileiro, alerta para o uso de desinformação e garante a soberania nacional

Lula abre Assembleia da ONU e defende soberania do Brasil

Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu, nesta terça-feira (22), o debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York. Mantendo a tradição diplomática que concede ao Brasil o privilégio de realizar o primeiro pronunciamento da sessão, o chefe do Executivo brasileiro proferiu um discurso enfático centrado na defesa da soberania nacional, na integridade do sistema eleitoral e no combate às redes globais de desinformação.

Em sua fala, o mandatário brasileiro mandou um recado direto às potências globais e a governos estrangeiros ao criticar ameaças de ingerência externa na política nacional. Sem citar nomes de líderes internacionais, inclusive antes do pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo a discursar no plenário, Lula afirmou categoricamente que a América Latina e a diplomacia brasileira exigem respeito em pé de igualdade, ressaltando que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.

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Divulgação

A abordagem sobre as próximas eleições no país ocupou ponto central do pronunciamento. O presidente destacou que o processo eleitoral brasileiro é “transparente e competitivo”, assegurando que a escolha nas urnas decidirá “entre a democracia e o negacionismo”, e definirá “se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão”.

O líder alertou, contudo, para o abuso da liberdade de expressão promovido por “interesses estrangeiros contrários ao país” através da manipulação de dados na internet.

“Não subestimamos o desafio da rede de desinformação que pretende desvirtuar o debate público durante a campanha. Mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto, sob olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre. Não permitiremos que inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros”, afirmou no plenário do órgão multilateral.

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Lula na ONU
Ricardo Stuckert / PR

Além da pauta de soberania e integridade democrática, o discurso do presidente na ONU abordou uma ampla agenda econômica e diplomática. O petista criticou a imposição unilateral de tarifas comerciais sobre países em desenvolvimento, defendeu a criação de uma agenda internacional positiva voltada ao crescimento e citou o impacto social do fim da jornada de trabalho no modelo de escala 6×1.

Lula também aproveitou a visibilidade da tribuna da ONU para exaltar inovações brasileiras de inclusão bancária, destacando a eficiência e popularização do sistema de pagamentos PIX como exemplo internacional de tecnologia pública a serviço da população.

No campo geopolítico global, o mandatário renovou o pleito histórico da diplomacia brasileira pela reforma do Conselho de Segurança da ONU, classificando a estrutura atual como defasada para mediar conflitos internacionais modernos e conter guerras. “Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para a integração”, concluiu, antes de ser aplaudido pelas delegações internacionais.

Daniela Ferreira

  • Publicado: 22/09/2026 11:50
  • Alterado: 22/09/2026 11:50
  • Autor: Daniela Ferreira