EUA, Dinamarca e Groenlândia assinam acordo militar na ONU

Firmado na ONU nesta terça-feira, acordo trilateral autoriza ampliação de bases militares dos Estados Unidos

EUA, Dinamarca e Groenlândia assinam acordo militar na ONU

Crédito: RS/FotosPúblicas

Durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada nesta terça-feira (22), em Nova York, os governos dos Estados Unidos, da Dinamarca e da Groenlândia assinaram um acordo histórico de cooperação em defesa e segurança para o território ártico.

O pacto põe fim a um período de atrito diplomático entre Washington e Copenhague desencadeado por declarações do presidente americano Donald Trump, que vinha defendendo publicamente a incorporação da ilha ao território dos EUA para conter o avanço estratégico de potências como Rússia e China na calota polar.

O documento foi assinado por Trump, pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e pelo primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen. O tratado feito na ONU ratifica a soberania e o controle político da Dinamarca e da administração autônoma local sobre a ilha, mas garante às Forças Armadas dos Estados Unidos o direito de expandir significativamente a sua presença militar na região.

Donald Trump ONU
RS/FotosPúblicas

No seu pronunciamento na ONU, Trump antecipou que os EUA darão início imediato aos projetos para instalação de infraestrutura de defesa na Groenlândia, incluindo a construção de “duas bases militares muito importantes” em locais estratégicos para reforçar o sistema de alerta antecipado e monitoramento espacial da Otan.

Soberania preservada, bases militares e geopolítica no Ártico

O compromisso formal encerra meses de incerteza para a população de aproximadamente 56 mil habitantes da ilha. A posição geográfica da Groenlândia com dois terços de seu território situados dentro do Círculo Polar Ártico tornou-se vital devido às novas rotas marítimas e reservas minerais reveladas pelo derretimento das geleiras.

“Senhor presidente, o senhor deixou muito claro que não quer que adversários cheguem perto demais. Concordo plenamente. E, com este acordo, eles não chegarão”, declarou a primeira-ministra Mette Frederiksen, enfatizando que a parceria militar com os americanos fortalece a capacidade de dissuasão da Otan sem violar a integridade territorial dinamarquesa.

O premiê groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, enfatizou que a negociação atendeu aos interesses de desenvolvimento socioeconômico e aos direitos da população local. “Para a Groenlândia, este não é apenas um acordo sobre nós. É um acordo conosco. Este documento elimina qualquer dúvida sobre onde está a nossa lealdade e o nosso compromisso com a aliança”, assinalou o líder.

Atualmente, o contingente americano no território limitava-se a cerca de 200 militares operando na Base Espacial de Pituffik. Com a ratificação do tratado pelas três partes, o Pentágono dará início ao redimensionamento de tropas, blindando o Flanco Norte da Otan diante das disputas globais de poder.

Daniela Ferreira

  • Publicado: 22/09/2026 14:38
  • Alterado: 22/09/2026 14:38
  • Autor: Daniela Ferreira