Greve na CPTM: Veja atualizações em tempo real

Acompanhe o que se sabe até o momento sobre a paralisação dos ferroviários, os impactos no transporte e as negociações entre sindicato, governo e concessionária.

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Crédito: Reprodução/Redes Sociais

A greve na CPTM entrou em vigor desde a meia-noite desta terça-feira (4) e afeta diretamente a circulação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade na região metropolitana de São Paulo. Os trabalhadores protestam contra a transferência da gestão ferroviária para a empresa privada Trivia Trens e cobram garantias de emprego para os quadros da estatal. Em resposta, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos na cidade, e o governo estadual reforçou o metrô e colocou ônibus extras nas ruas para amenizar o impacto sobre os passageiros.

O que pedem os funcionários da CPTM

O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) lidera o movimento grevista. Segundo a entidade, apenas 11% dos funcionários operacionais foram transferidos para a nova concessionária, enquanto o restante do quadro da CPTM lida com um programa de desligamento voluntário promovido pela direção da empresa pública. A categoria soma 4.700 empregados sob risco de demissão, segundo o sindicato.

Os manifestantes estabeleceram três pautas centrais para negociar o fim da paralisação na CPTM:

  • Retorno definitivo da operação das três linhas para o controle do Estado
  • Manutenção dos postos de trabalho de todos os servidores da companhia
  • Aprovação imediata do Projeto de Lei nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp)

O projeto em tramitação obriga o governo estadual a absorver os profissionais da estatal em outros órgãos da administração pública. A Trivia Trens, por sua vez, defende sua atuação afirmando ter renovado 90% dos profissionais na frente operacional e de manutenção, com mais de 1.300 horas de treinamento prático e teórico para as novas equipes.

Em nota, a direção do sindicato reforçou a disposição para negociar, mas sem abrir mão da mobilização: “Sem esse compromisso formal, a categoria decidiu manter a greve como forma de defender os postos de trabalho e o futuro de milhares de famílias“.

Outro representante da categoria, Luiz Barbosa Neto Júnior, diretor-executivo do sindicato, criticou a proposta apresentada pelo governo na negociação de segunda-feira (3): “Na negociação que teve hoje, o que o governo fez? Ah, vamos ter mais 60 dias para conversar para garantia do emprego. E a turma não quer aceitar isso“.

Como está o transporte agora

As linhas afetadas pela greve na CPTM operam de forma parcial ou seguem totalmente inativas:

  • Linha 11-Coral: circulação apenas entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases.
  • Linha 12-Safira: operação no trecho entre Brás e Engenheiro Goulart.
  • Linha 13-Jade: operação suspensa.
  • Expresso Aeroporto: viagens suspensas.

Em contrapartida, as linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa operam normalmente.

O Metrô de São Paulo também mantém circulação regular nas linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha, 4-Amarela e 5-Lilás, além do funcionamento normal das linhas 15-Prata e 17-Ouro. Para reforçar a oferta, a companhia antecipou a abertura das estações de quatro linhas para as 4h e aumentou a circulação de trens na Linha 3-Vermelha.

O Estado também acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) e disponibilizou 128 ônibus para atender os trechos mais afetados, entre Estudantes e Corinthians-Itaquera e São Miguel Paulista e Calmon Viana. Funcionários extras foram deslocados para organizar o embarque em estações de maior movimento, enquanto trens vazios passaram a sair das garagens diretamente para os pontos de maior demanda. A Polícia Militar também reforçou o policiamento e o trânsito nos principais terminais.

A paralisação da CPTM prejudica especialmente o deslocamento na Zona Leste da capital e em cidades como Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Itaquaquecetuba, Suzano e Mogi das Cruzes. Em razão dos impactos, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos nesta terça-feira.

Reação do governo estadual

O Governo de São Paulo afirma que o sindicato descumpriu essa determinação na manhã desta terça-feira (4). Segundo a gestão estadual, o número de ferroviários em atividade nas linhas administradas pela CPTM ficou abaixo do percentual mínimo exigido para o horário de pico, o que, na avaliação do governo, configura violação da liminar concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho.

A administração estadual também informou que mantém as negociações com a categoria para evitar demissões em massa com a concessão das linhas da CPTM. Em nota, o governo afirmou que segue comprometido com a preservação dos postos de trabalho e com a análise de projetos de lei de interesse dos ferroviários. Entre as medidas discutidas estão a realocação de empregados em outros órgãos públicos e a integração ao Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe).

O sindicato, por sua vez, contesta a posição do governo e sustenta que as propostas apresentadas ainda não oferecem garantias concretas aos trabalhadores diante da transferência da operação da CPTM para a iniciativa privada.

O que diz a decisão da Justiça

Diante do impasse na negociação, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a manutenção de 80% do efetivo em horários de pico e de 60% nos períodos de menor movimento durante a greve. O descumprimento da decisão gera multa diária de R$ 400 mil aos cofres do sindicato. Até o momento, as negociações seguem travadas, e o transporte metropolitano opera sob o rigor dessa ordem judicial.

Como chegou-se a esse ponto

A crise no sistema ferroviário estadual não é recente. O governo de São Paulo leiloou os ramais da CPTM em março do ano passado, com o grupo Comporte Participações vencendo o certame com a promessa de investir R$ 14,3 bilhões em modernização e novas estações. A transferência do serviço ocorreu de forma gradual, sendo concluída em 21 de julho, quando a concessionária Trivia Trens assumiu integralmente os trilhos.

Os primeiros dias de controle totalmente privado, porém, registraram problemas técnicos graves. Passageiros enfrentaram longos atrasos até que um curto-circuito incendiasse um vagão da Linha 12-Safira, no dia 23 de julho. Diante da crise, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) precisou intervir e obrigou a CPTM a retomar temporariamente o controle das três linhas, em 24 de julho, por um prazo de 90 dias, para a realização de ajustes urgentes de segurança. É nesse cenário de instabilidade recente que a greve dos ferroviários se soma às dificuldades enfrentadas pelos passageiros da região metropolitana, que devem buscar rotas alternativas até que a paralisação seja encerrada.

  • Publicado: 04/08/2026 08:39
  • Alterado: 04/08/2026 10:04
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: ABCdoABC