Governo de SP diz que sindicato descumpre decisão judicial em greve
Governo paulista aponta que trabalhadores operam abaixo da cota mínima exigida pela Justiça e mobiliza frota de ônibus para passageiros.
- Publicado: 04/08/2026 10:03
- Alterado: 04/08/2026 10:03
- Autor: Thiago Antunes
O Governo de São Paulo acusou o sindicato dos ferroviários de descumprir uma determinação judicial durante a greve da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) na manhã desta terça-feira (4). A gestão estadual identificou que o volume de trabalhadores nas linhas operadas pelo estado amanheceu abaixo dos índices legais estipulados para os horários de maior movimento.
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou na segunda-feira (3) a manutenção de pelo menos 80% do efetivo nos horários de pico e o funcionamento de 60% nos demais períodos do dia. O descumprimento contínuo desta medida liminar resulta em uma multa diária de R$ 400 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil.
A administração pública afirma manter diálogo para evitar demissões em massa no sistema sobre trilhos. “O Estado reitera o compromisso com a preservação dos postos de trabalho e a análise de projetos de lei de interesse da categoria”, informou a gestão estadual. As garantias negociadas incluem a realocação de empregados em outras autarquias e o acesso ao Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe).
Impacto na CPTM e ativação de plano emergencial
A paralisação forçou a execução de um amplo plano de contingência para os passageiros que dependem da CPTM. A Linha 11-Coral funcionou de maneira restrita apenas entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases. Os trens da Linha 12-Safira circularam unicamente no trecho entre o Brás e Engenheiro Goulart. A Linha 13-Jade e o ramal do Expresso Aeroporto registraram interrupção total das atividades.
O Metrô antecipou a abertura de suas principais ligações subterrâneas para as 4h da manhã. A Linha 3-Vermelha recebeu prioridade estratégica e iniciou a operação já com 50% das composições em circulação antes mesmo da faixa de pico. A Artesp (Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo) fiscalizou o funcionamento das vias concedidas para organizar e reforçar o intervalo das viagens privadas.
Ampliação da frota rodoviária e segurança pública
O estado acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) para suprir a demanda represada nas estações de trem da CPTM. As autoridades de mobilidade urbana destacaram 128 ônibus mobilizados para o deslocamento dos passageiros. Os veículos conectaram os trajetos interrompidos na zona leste da capital e garantiram o acesso ao município de Guarulhos.
A Polícia Militar reforçou o patrulhamento ostensivo no entorno das plataformas ferroviárias e nos grandes terminais de integração. Equipes especializadas em trânsito atuaram nas vias com maior congestionamento para garantir a fluidez dos automóveis particulares e dos ônibus urbanos durante as limitações provocadas pela greve na CPTM.