Evangélicos pedem a Mendonça fim do sigilo no caso Master
STF: em carta ao ministro, Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito critica vazamentos seletivos e apoia cobrança de Lula por transparência
- Publicado: 10/09/2026 10:52
- Alterado: 10/09/2026 10:52
- Autor: Daniela Ferreira
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito divulgou, nesta quinta-feira (10), uma carta aberta direcionada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, o grupo cobra a retirada imediata do sigilo das investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master.
Composta por membros de diversas denominações de igrejas evangélicas e conhecida por ter declarado apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições, a frente se dirigiu ao magistrado ressaltando a sua religiosidade, tratando-o “como irmão na fé em Jesus Cristo”. O texto apela para que Mendonça, diante da gravidade do caso, conduza o inquérito com “transparência, serenidade e imparcialidade”.
Crítica a Vazamentos e Uso Político
Um dos pontos centrais da manifestação é a dura crítica aos “vazamentos seletivos” do inquérito. Para a organização, a divulgação fragmentada de informações, especialmente em período eleitoral, alimenta narrativas distorcidas, atinge adversários e transforma uma investigação criminal em um perigoso “instrumento político”.
“O mesmo critério deve valer para todos. Não pode haver rigor para uns e proteção para outros, sejam aliados, sejam adversários, sejam ministros, sejam candidatos, sejam irmãos na fé”, diz um trecho do documento.
Para estancar as especulações institucionais, a frente defende a publicidade total dos autos para a sociedade e para a imprensa. “Por isso, pedimos a retirada do sigilo das investigações. Que sejam conhecidos os documentos, as mensagens, as decisões e as relações de todos os envolvidos”, prossegue a carta.
O grupo também fez uma reflexão direta sobre a mistura entre religião, justiça e política. Os signatários argumentam que a fé não deve ser usada para levantar suspeitas contra outras pessoas e nem pode servir de “escudo, palanque ou instrumento eleitoral”.
“O Deus a quem servimos não precisa de proteção do Estado. É o Estado que precisa da justiça e da verdade ensinadas por Ele”, pontua a mensagem enviada ao ministro.
Alinhamento com o Planalto
A manifestação do grupo de evangélicos endossa as recentes cobranças feitas pelo próprio presidente da República. Na quarta-feira (9), ao comentar a escalada da crise interna no STF, Lula adotou um discurso semelhante: criticou os vazamentos seletivos e exigiu a quebra irrestrita do sigilo das apurações sobre o caso Master, afirmando que a transparência deve ocorrer “doa a quem doer”.