Amigo de Flávio repassa R$ 1 mi à produtora de Dark Horse
Flávio Bolsonaro mantinha relação com publicitário que repassou R$ 1 milhão à produtora de Dark Horse, segundo investigação da PF
- Publicado: 10/09/2026 15:30
- Alterado: 10/09/2026 15:40
- Autor: Gabriel de Jesus
O publicitário Marcello de Oliveira Lopes, amigo e ex-marqueteiro da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, repassou R$ 1 milhão à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A transferência aparece em relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) citados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), na decisão que autorizou uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (10).
Segundo os documentos, o dinheiro foi enviado entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período em que a produtora movimentou mais de R$ 19 milhões em operações consideradas atípicas pelo Coaf.
Flávio Bolsonaro tem ligação com publicitário

Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, atuou como marqueteiro da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, mas deixou a equipe depois da crise provocada pela divulgação de contatos do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Apesar da saída formal da campanha, o publicitário continuou próximo de Flávio Bolsonaro. Segundo informações divulgadas sobre a relação entre os dois, eles mantêm contato frequente, e Marcellão chegou a participar de um jantar do senador com André Esteves, presidente do BTG Pactual.
A participação do publicitário na produção de Dark Horse tornou-se relevante para a investigação porque o dinheiro transferido à Go Up aparece entre as principais movimentações financeiras analisadas pela PF.
Publicitário diz que fez investimento no filme
Marcellão confirmou o repasse e afirmou que o valor não foi uma doação, mas um investimento no filme.
Segundo o publicitário, o aporte ocorreu em dezembro de 2025, depois que os recursos que vinham sendo investidos por Daniel Vorcaro deixaram de ser disponibilizados. Ele afirmou que a equipe de produção precisava fazer pagamentos e abriu cotas para investidores.
“Eu achei um bom negócio e decidi investir”, afirmou o publicitário.
O contrato apresentado por Marcellão registra um aporte de US$ 185.185,19, equivalente a aproximadamente R$ 1 milhão.
Embora o dinheiro tenha sido transferido em dezembro de 2025, o contrato foi assinado formalmente em 4 de junho de 2026. O publicitário explicou que a demora ocorreu por ajustes nas cláusulas do acordo.
Dark Horse é alvo de investigação da Polícia Federal
O repasse de Marcellão aparece no contexto de uma investigação mais ampla sobre o financiamento de Dark Horse.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação autorizada por Flávio Dino para apurar suspeitas de uso irregular de recursos públicos, emendas parlamentares e outras movimentações financeiras relacionadas à produção do longa. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em diferentes estados e no Distrito Federal.
Entre os alvos estão a produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que também possui relação com o projeto.
Segundo a investigação, Frias teria realizado transferências de aproximadamente R$ 645 mil para a produtora. O dinheiro estaria relacionado a recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas a projetos que, conforme as suspeitas, não teriam sido efetivamente executados.
Produtora movimentou R$ 19 milhões
O relatório citado por Dino aponta que a Go Up Entertainment movimentou R$ 19,03 milhões entre novembro e dezembro de 2025.
Desse total, foram cerca de R$ 8,95 milhões em créditos e R$ 10,08 milhões em débitos. Entre os principais remetentes estavam a Moneycorp Banco de Câmbio, a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, Marcello Lopes, a NTT Brasil e Mario Frias.
As movimentações passaram a ser analisadas pela PF dentro de uma apuração que busca identificar a origem dos recursos utilizados para financiar o filme.
Flávio não é alvo da operação
Apesar da proximidade entre Flávio Bolsonaro e o publicitário que realizou o aporte de R$ 1 milhão, o senador não aparece entre os alvos da operação policial desta quinta-feira.
A investigação concentra-se nas empresas, entidades e pessoas apontadas nos documentos como integrantes ou possíveis beneficiárias das movimentações consideradas suspeitas.
Flávio Bolsonaro também se manifestou sobre a operação e acusou o governo de utilizar a investigação como instrumento de interferência política. O senador nega irregularidades e afirma que os recursos relacionados ao filme são privados.
Investigação apura financiamento de Dark Horse
O caso de Dark Horse reúne diferentes frentes de investigação. Além das transferências para a produtora, a PF apura possíveis desvios envolvendo emendas parlamentares, contratos públicos e movimentações financeiras ligadas a entidades que participaram da produção.
Uma das linhas de investigação envolve contratos de instalação de wi-fi em São Paulo relacionados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Gama. Outra apuração busca esclarecer recursos provenientes do Banco Master e de um fundo nos Estados Unidos que teriam ajudado a financiar o filme.
Segundo informações reunidas pela investigação, Dark Horse teria orçamento estimado em US$ 13 milhões, com grande parte dos recursos provenientes de investidores privados.
Envolvidos negam irregularidades
Os investigados têm negado irregularidades e defendem a legalidade dos repasses e contratos analisados pela Polícia Federal.
O publicitário Marcello Lopes, especificamente, sustenta que seu R$ 1 milhão foi um investimento realizado de forma regular no projeto cinematográfico.
A investigação, portanto, deverá esclarecer se as diferentes fontes de recursos utilizadas em Dark Horse tiveram origem e aplicação regulares ou se houve utilização indevida de dinheiro público. Até a conclusão das apurações, as suspeitas não representam uma condenação dos envolvidos