Cotação do dólar hoje sobe com tensão global
Acompanhe a cotação do dólar hoje e entenda como as tensões globais no Oriente Médio e os juros afetam os investimentos no Brasil
- Publicado: 18/08/2026 19:06
- Alterado: 18/08/2026 19:06
- Autor: Gabriel de Jesus
A cotação do dólar registrou valorização nesta terça-feira, impulsionada pelo aumento do risco geopolítico e pela apreensão dos investidores no cenário internacional. O movimento reflete a recente escalada de conflitos diplomáticos no Oriente Médio, fator que voltou a encarecer as commodities energéticas e a reacender temores sobre a inflação global.
Ao mesmo tempo, o índice Ibovespa registrou sua 11ª queda consecutiva. O ambiente desfavorável para ativos de risco foi agravado por incertezas sobre o ritmo de corte das taxas de juros nas principais economias do mundo e pelo aperto na oferta de petróleo.
Conflito no Oriente Médio pressiona o petróleo e atinge mercados
A alta da moeda estrangeira e a volatilidade das Bolsas acompanharam declarações contundentes vindas dos Estados Unidos e do Irã sobre a navegação e o controle marítimo no Oriente Médio. O bloqueio em rotas estratégicas de transporte de combustíveis provocou um salto na cotação do petróleo tipo Brent, impactando diretamente o apetite por risco.
Mesmo diante do avanço cambial, analistas observam que a força do dólar frente a outras divisas globais encontra limites na postura do Federal Reserve (Fed). A expectativa predominante no mercado é de que o Banco Central norte-americano mantenha as taxas de juros inalteradas nos próximos meses.
“A possibilidade de interrupções na navegação tem dimensão suficiente para transformar uma disputa regional em um problema monetário global”, explica Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, ao comentar os impactos no rendimento dos títulos de dívida governamentais.
Impactos da cotação do dólar na economia brasileira
No mercado doméstico, o desempenho do Ibovespa só não foi mais negativo devido ao peso das ações da Petrobras, beneficiadas pela valorização do barril de petróleo. No entanto, especialistas destacam que o avanço contínuo do dólar impõe novos desafios para a condução da política monetária no Brasil.
De acordo com Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, os investidores locais ainda demonstram cautela em relação às ações corporativas:
“Falta confiança do investidor local, que segue vendo mais atratividade na renda fixa do que nas ações, sobretudo diante das incertezas fiscais e do cenário eleitoral.”
A oscilação do dólar gera pressão direta sobre as curvas de juros no Brasil, limitando o espaço para um alívio monetário. Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, essa dinâmica coloca a autoridade monetária brasileira diante do dilema entre cortar a taxa Selic para apoiar a atividade econômica em desaceleração ou manter os juros elevados para evitar o contágio da inflação importada.
Perspectivas para o dólar e agenda da semana
A trajetória do dólar nos próximos dias continuará atrelada aos desdobramentos geopolíticos e aos indicadores de atividade econômica nos Estados Unidos. Agentes do mercado financeiro aguardam a divulgação de atas de reuniões monetárias e balanços do varejo americano para calibrar as projeções de juros globais.
Com o cenário fiscal das grandes economias sob escrutínio, a volatilidade em torno do dólar deve permanecer no radar dos investidores, exigindo cautela na alocação de ativos em renda variável e no mercado de câmbio.