Boulos anuncia pedido de prisão de Ricardo Nunes
Ministro acusa gestão municipal de descumprir ordem da Justiça Eleitoral após levantamento apontar quase 3,9 mil ônibus nas garagens durante o segundo turno em SP
- Publicado: 25/10/2026 16:25
- Alterado: 25/10/2026 16:27
- Autor: Edvaldo Barone
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSol), anunciou neste domingo (25) que pretende pedir à Justiça Eleitoral a prisão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), em razão da redução da frota de ônibus municipais durante o segundo turno das eleições de 2026. A iniciativa ocorre após um levantamento identificar quase 3,9 mil veículos estacionados nas garagens, apesar de uma determinação judicial para que o transporte público funcionasse com frequência equivalente à dos dias úteis.
O anúncio foi feito nas redes sociais e também envolve o secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, e o presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. Boulos afirmou que encaminharia o pedido ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), alegando que a oferta reduzida de coletivos poderia dificultar o deslocamento de eleitores até os locais de votação.
A manifestação do ministro não equivale a uma decisão judicial. O anúncio de Boulos também não significa que o tribunal tenha reconhecido o descumprimento da ordem por parte do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A análise de eventual responsabilização depende da avaliação da Justiça Eleitoral.
Quase 3,9 mil ônibus nas garagens

O questionamento à gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) ganhou força depois que dados do Infobus, sistema de monitoramento da frota municipal, apontaram que 3.898 ônibus estavam nas garagens às 13h20 deste domingo. O número representava 28,3% dos 13.790 veículos cadastrados. Outros 9.892 apareciam como em circulação, incluindo aqueles estacionados nos pontos iniciais e finais das linhas.
O levantamento apresentou um retrato da operação durante o período de votação. Os registros não permitem identificar, isoladamente, a quantidade de veículos indisponíveis por manutenção ou determinar se todas as linhas operavam com a frequência exigida pela Justiça.
A redução da oferta também foi relatada por passageiros em diferentes regiões da cidade. No Terminal Santo Amaro, na zona sul, usuários enfrentaram espera superior a uma hora em uma linha com destino a Vargem Grande. Na zona leste, uma passageira relatou ter aguardado cerca de 40 minutos por um ônibus para a região da Penha antes de optar pelo metrô.
A discussão sobre a disponibilidade dos coletivos ocorre em um dia em que a circulação gratuita foi mantida na capital. Embora a isenção da tarifa facilite o acesso ao transporte, o intervalo entre as viagens e a distribuição dos veículos também influenciam a possibilidade de deslocamento dos eleitores.
Justiça havia determinado reforço no transporte

No sábado (24), o TRE-SP determinou que a Prefeitura de São Paulo disponibilizasse a totalidade da frota operacional de ônibus, mantendo a frequência praticada nos dias úteis. A decisão atendeu a uma ação apresentada por parlamentares do PSol e estabeleceu multa de R$ 100 mil para Ricardo Nunes e para o presidente da SPTrans em caso de descumprimento.
A determinação também mencionou a possibilidade de responsabilização por crime eleitoral. Entretanto, a existência de uma previsão de sanção não significa sua aplicação automática, nem dispensa a análise das circunstâncias pela Justiça.
Ao anunciar a intenção de pedir a prisão de Ricardo Nunes, Boulos mencionou uma iniciativa semelhante do Partido dos Trabalhadores contra o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil). A referência foi apresentada pelo ministro como argumento para sua manifestação, sem que isso estabeleça uma equivalência jurídica automática entre os episódios.
O PT também acionou a Justiça Eleitoral em São Paulo em meio à controvérsia envolvendo a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Em representação apresentada pelo presidente estadual da sigla, Kiko Celeguim, o partido solicitou a prisão em flagrante do secretário Celso Caldeira e do presidente da SPTrans, sob a alegação de descumprimento da determinação judicial. A campanha petista afirmou ter recebido informações de que a operação estaria reduzida a aproximadamente 60% da frota, percentual diferente daquele registrado pelo monitoramento do Infobus às 13h20.
SPTrans atribui dificuldades ao prazo da decisão
A SPTrans contestou a avaliação de que a redução da frota representaria necessariamente uma recusa ao cumprimento da ordem judicial. Em manifestação divulgada neste domingo, a empresa afirmou que recebeu a notificação do TRE-SP às 13h10 de sábado (24) e comunicou a determinação às concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operacionais da cidade às 13h32.
Segundo a companhia, o intervalo entre a comunicação e o início da operação eleitoral foi insuficiente para reorganizar integralmente as escalas dos motoristas, as jornadas de trabalho e as folgas previamente estabelecidas. A empresa também argumentou que o planejamento precisava considerar o direito de voto dos próprios trabalhadores do transporte coletivo.
A SPTrans, responsável pela gestão do transporte coletivo na administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB), sustentou ainda que a programação original havia sido definida com base em dados de demanda, utilizando como referência uma operação com aproximadamente 6,9 mil ônibus, capacidade estimada de 8 milhões de lugares e transporte de 3,4 milhões de passageiros. A companhia afirmou respeitar as decisões da Justiça Eleitoral, mas defendeu que as dificuldades de mobilização fossem consideradas na avaliação do caso.
O posicionamento apresenta uma justificativa operacional para a diferença entre a frota exigida e a efetivamente disponibilizada. Cabe à Justiça Eleitoral avaliar se as providências adotadas foram suficientes para atender à determinação e se há fundamento para alguma responsabilização.
Pedido de prisão de Ricardo Nunes ainda depende da Justiça Eleitoral
O anúncio de Guilherme Boulos acrescenta uma nova dimensão à controvérsia sobre o transporte coletivo no segundo turno. Além da discussão sobre a quantidade de ônibus nas ruas, o caso passou a envolver pedidos de responsabilização do prefeito Ricardo Nunes e de integrantes da administração municipal, além de questionamentos sobre os efeitos da operação no acesso dos eleitores às urnas.
Em manifestação divulgada por volta das 13h30, o TRE-SP informou que, até aquele momento, não havia recebido relato de situação que comprometesse o exercício do voto. O tribunal orientou eleitores que enfrentassem dificuldades a encaminhar denúncias ao Ministério Público Eleitoral. A informação foi prestada antes da divulgação de parte das iniciativas judiciais noticiadas durante a tarde.
Até a atualização consultada, o anúncio de Boulos permanecia como uma intenção de solicitar a prisão do prefeito, enquanto o pedido apresentado pelo PT contra integrantes da administração municipal já havia sido noticiado. Não havia confirmação de ordem de prisão expedida contra Ricardo Nunes.
O desfecho dependerá da análise dos registros de circulação, das providências adotadas pela prefeitura e dos argumentos apresentados pelas partes à Justiça Eleitoral.