APAS avalia que corte da Selic deve continuar para estimular economia
A redução dos juros básicos alivia o setor produtivo, mas especialistas alertam que a inflação controlada permite cortes mais profundos.
- Publicado: 17/09/2026 08:24
- Alterado: 17/09/2026 08:24
- Autor: Thiago Antunes
A Associação Paulista de Supermercados (APAS) defende que o Banco Central aprofunde o ciclo de cortes da Selic. A manifestação ocorreu nesta quarta-feira (16) logo após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a taxa básica para 13,75% ao ano. A entidade considera a medida inicial válida, mas estruturalmente insuficiente frente ao cenário econômico.
Trajetória da inflação exige nova queda da Selic
O mercado supermercadista aponta que o comportamento dos preços abre margem para flexibilizações agressivas na política monetária. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram uma desaceleração clara nos índices inflacionários em todo o território nacional.
“Acreditávamos que havia espaço, inclusive, para um corte mais acentuado. Isso porque nós não temos um problema inflacionário”, analisa Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS. O especialista enfatiza que os resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) comprovam o controle dos preços internos.
Mesmo com a ligeira revisão da Selic, o Brasil continua operando com uma das maiores taxas reais de juros do mundo. Esse patamar encarece as linhas de crédito corporativo, paralisa a expansão dos negócios e afeta diretamente o orçamento das classes consumidoras.
Impacto nos investimentos e consumo diário
A manutenção de indicadores financeiros elevados sufoca o poder de compra dos brasileiros. Juros restritivos barram o fluxo de capital direcionado ao setor produtivo e limitam severamente as compras diárias. A competitividade do mercado interno perde tração frente aos obstáculos de financiamento.
“Para um país que quer crescer, se desenvolver no médio e longo prazo e ser competitivo em âmbito internacional, é fundamental atrairmos investimentos”, finaliza Queiroz. O economista alerta que o atual patamar da Selic direciona os capitais para o rentismo financeiro em detrimento da produção, do varejo e da geração de empregos.