Presidenciáveis já gastaram R$ 151 milhões no 1º turno

Prestação parcial ao TSE revela despesas milionárias com marketing digital, viagens e serviços jurídicos na corrida presidencial.

Presidenciáveis já gastaram R$ 151 milhões no 1º turno

Crédito: Montagem ABCdoABC (Fotos: Renato Pizzutto/Band - Secom - Ricardo Stuckert/PR- Andressa Anholete/Agência Senado - Gil Leonardi/Imprensa MG - Partido Missão)

Os candidatos à Presidência da República declararam R$ 151 milhões em gastos na campanha eleitoral ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a 17 dias do primeiro turno das Eleições 2026. Os dados integram a prestação parcial de contas da Justiça Eleitoral, reunindo as movimentações financeiras registradas entre 16 de agosto e 8 de setembro. A votação oficial ocorre em 4 de outubro.

O teto de gastos fixado para as eleições 2026 pelo TSE estabelece que cada presidenciável pode desembolsar até R$ 88,9 milhões no primeiro turno. Os nomes que avançarem para a etapa final ganham autorização para investir mais R$ 44,5 milhões adicionais, permitindo um teto acumulado de R$ 133,4 milhões ao longo da disputa. A contratação de agências digitais, a produção audiovisual para redes sociais, as viagens e os escritórios de advocacia lideram as planilhas de despesas das comitivas.

Veja quanto cada candidato gastou nas eleições 2026

Lula

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Ricardo Stuckert/PR

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva concentra a maior fatia das despesas informadas ao sistema DivulgaCand, somando R$ 65 milhões em despesas declaradas. Quase metade desse montante refere-se ao contrato de R$ 31 milhões com a agência Delta3 Comunicação para a prestação de serviços especializados de comunicação e marketing. A empresa pertence aos publicitários Raul Rabelo e Francisco Mascarenhas Kertész, ex-sócios do ministro da Secretaria de Comunicação Social Sidônio Palmeira.

A logística audiovisual da campanha petista das eleições 2026 destinou R$ 4,2 milhões à empresa Log Produções & Filmes. Desse valor, R$ 4,1 milhões cobrem serviços técnicos especializados e R$ 120 mil custeiam a captação e transmissão ao vivo de eventos. A confecção de material impresso gerou o repasse de R$ 2,7 milhões para a NMC Gráfica, cobrindo 100 pagamentos para produção de cartazes e adesivos.

A presença nas redes sociais absorveu R$ 2,5 milhões em impulsionamento no Facebook via 21 pagamentos à Meta, além de R$ 100 mil em anúncios no Kwai. O setor jurídico consumiu R$ 4 milhões distribuídos entre cinco escritórios de advocacia. O coordenador jurídico da campanha Ângelo Ferraro recebeu a maior fatia por meio da banca Ferraro e Novaes Advogados, totalizando R$ 1,5 milhão.

Os contratos adicionais incluem R$ 800 mil para Pellegrini & Sodre Sociedade de Advogados, R$ 795 mil para Peccinin & Alessi Sociedade de Advogados, R$ 702 mil para Lacombe e Neves da Silva Advogados Associados e R$ 210 mil para Bertoni Soares Advogados.

A equipe desembolsou ainda R$ 1,5 milhão com a Oma Pesquisa para levantamentos internos, R$ 1,2 milhão com a Kaos Produz para organização de atos e R$ 1,9 milhão na locação de estruturas de áudio, iluminação e painéis de LED. A campanha também distribuiu R$ 950 mil para 11 diretórios estaduais do PT, com repasses de R$ 100 mil para Sergipe, Tocantins, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Distrito Federal, Alagoas, Pará e Goiás, e R$ 50 mil para Roraima, Amapá e Acre.

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro
Reprodução

O senador e candidato pelo PL Flávio Bolsonaro ocupa o segundo lugar em movimentação financeira nas eleições 2026, registrando R$ 55 milhões acumulados em despesas. O maior contrato individual da chapa envolve R$ 13,1 milhões aplicados em planejamento estratégico e marketing político. No segmento digital, a produtora Paranoá Digital recebeu R$ 5 milhões, enquanto a criação de um canal de televisão online com transmissão 24 horas no YouTube custou R$ 3,7 milhões.

A estratégia de impulsionamento online do candidato soma R$ 900 mil aplicados em plataformas digitais. A fintech DLocal movimentou R$ 500 mil como intermediadora de pagamentos para compra de créditos de anúncios junto à Meta, enquanto R$ 300 mil foram pagos diretamente ao Facebook e R$ 100 mil ao Kwai.

A comunicação institucional contratou a Algoritmo Dados Estratégia e Comunicação por R$ 3,6 milhões, empresa fundada pelo ex-secretário especial de comunicação Fábio Portela. Uma segunda agência de assessoria obteve R$ 3,4 milhões, ao passo que a coordenação de comitês estaduais liderada pelo ex-assessor Julio Martelo custou R$ 1,6 milhão.

A retaguarda jurídica da candidatura do PL pagou R$ 3,1 milhões ao escritório da ex-ministra do TSE Maria Claudia Bucchianeri. O transporte aéreo executivo gerou o gasto de R$ 2,2 milhões com a Alljet Aviation. A confecção de bandeiras, adesivos e panfletos de rua consumiu R$ 2 milhões em materiais impressos.

Ronaldo Caiado

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Divulgação/PSD

O ex-governador de Goiás e candidato pelo PSD Ronaldo Caiado declarou R$ 24,2 milhões em investimentos eleitorais. A maior parte dos recursos está concentrada na contratação da empresa Épos Brasil, com contrato de R$ 20 milhões para gestão do marketing digital e produção de propaganda de rádio e televisão. O valor foi dividido em duas parcelas de R$ 10 milhões em fase de quitação.

A equipe audiovisual de Caiado reservou R$ 1 milhão para criação e planejamento de conteúdos. Os deslocamentos estaduais e nacionais exigiram R$ 1,1 milhão distribuídos entre cinco empresas de táxi aéreo.

A consultoria jurídica da campanha destinou R$ 500 mil ao escritório Malheiros, Penteado e Toledo e R$ 425 mil ao escritório Boverio e Fernandes. A auditoria financeira contratou a Essent Inovação Contábil por R$ 270 mil, enquanto o impulsionamento no Facebook somou R$ 246,7 mil divididos em três parcelas.

Romeu Zema

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Gil Leonardi/Imprensa MG

O ex-governador de Minas Gerais e candidato pelo Novo Romeu Zema reportou R$ 4,1 milhões em custos operacionais. A assessoria de marketing digital absorveu R$ 930 mil em três pagamentos fracionados. A coordenação geral de imprensa recebeu R$ 450 mil, acompanhada por R$ 320 mil aplicados na edição de vídeos e R$ 167 mil na confecção de bottons e adesivos.

As contratações de comunicação de Zema incluem R$ 72 mil para produção de eventos e narrativas, R$ 61,5 mil para apoio logístico de gravações, R$ 60 mil para criação de jingles e vinhetas, R$ 60 mil para redes sociais, R$ 55 mil em planejamento, R$ 50 mil em direção de fotografia, R$ 50 mil em assessoria, R$ 45 mil em gestão de plataformas, R$ 44 mil em tráfego pago e R$ 40 mil em relações com a imprensa.

A locação de transportes consumiu R$ 155 mil em agenciamento de viagens, R$ 98,3 mil no aluguel de aeronave com a Flapper Private Jets e R$ 79 mil em aluguel de carros. A representação jurídica contratou o escritório Bessoni & Fortes por R$ 300 mil, o Santana Santos Advocacia por R$ 100 mil e o escritório Arnaldo Esteves Lima & Barbosa Moreira por R$ 70 mil.

Renan Santos

Renan Santos
Crédito: Partido Missão

O candidato pelo partido Missão Renan Santos informou o gasto de R$ 1,2 milhão na disputa presidencial das eleições 2026. A produção gráfica representa o principal investimento da equipe, com R$ 292 mil pagos à WBL Gráfica & Editora para confecção de bandeiras e adesivos perfurados, além de R$ 89 mil destinados a um segundo estabelecimento gráfico.

A campanha arrecadou R$ 2,1 milhões através de 31 mil doadores na plataforma de financiamento coletivo Quero Apoiar, gerando uma taxa administrativa de R$ 25 mil. O impulsionamento nas redes sociais somou R$ 190 mil aplicados em anúncios, sendo R$ 100 mil processados pela DLocal e R$ 90 mil pagos diretamente ao Facebook.

O assessoramento jurídico custou R$ 125 mil ao escritório Marella & Rollo. A movimentação da comitiva exigiu R$ 85 mil no aluguel de ônibus leito-cama, R$ 80 mil em passagens aéreas compradas via Decolar.com e R$ 12 mil na locação de veículos.

Augusto Cury

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Renato Pizzutto/Band

O escritor e candidato pelo Avante nas Eleições 2026, Augusto Cury apresentou a prestação de contas mais enxuta da disputa nas eleições 2026, registrando R$ 265 mil em despesas totais. O impulsionamento de conteúdo no Facebook consumiu R$ 120 mil do orçamento, representando 45% do total gasto pela candidatura.

A estrutura operacional alocou R$ 36 mil em assessoria logística, R$ 27 mil na produção audiovisual, R$ 18 mil em consultoria de marketing e R$ 24 mil no suporte às equipes de campo.

A hospedagem da comitiva em oito cidades somou R$ 16,2 mil gastos em hotéis. A alimentação da equipe técnica durante reuniões de planejamento gerou a despesa de R$ 958 em lanches.

A Justiça Eleitoral exige a apresentação da prestação de contas final em até 30 dias após a conclusão do pleito. Os candidatos eleitos que não regularizarem suas pendências financeiras ficam impedidos de receber a diplomação para a posse nas Eleições 2026.

Thiago Antunes

  • Publicado: 17/09/2026 08:57
  • Alterado: 17/09/2026 09:06
  • Autor: Thiago Antunes