Alta do petróleo pressiona passagens aéreas, diz FecomercioSP

Estudo da FecomercioSP revela que empresas absorveram parte dos custos operacionais para evitar queda na demanda de viajantes brasileiros.

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O preço das passagens aéreas subiu 9% nos primeiros meses deste ano, mesmo com o salto de 37% no custo do querosene de aviação. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) aponta que as companhias evitaram o repasse integral da alta do combustível aos consumidores.

O querosene representa um terço das despesas operacionais do setor aéreo no país. Esse encarecimento global reflete as tensões geopolíticas no Oriente Médio, inflando a estrutura de custos das empresas em aproximadamente 12%.

“A reação intuitiva do consumidor é sempre a mesma, quando o petróleo explode o medo é de que as tarifas vão explodir junto”, explica Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP.

Impacto do câmbio nas passagens aéreas

O recuo do dólar ajudou a segurar o valor das passagens aéreas no mercado interno. A moeda norte-americana caiu de R$ 5,25 em março para a faixa de R$ 5 nos meses seguintes, aliviando contas dolarizadas.

Seguros, arrendamento de aeronaves e peças de manutenção respondem por quase um quarto dos gastos fixos das operadoras. A valorização do real serviu como um amortecedor financeiro para os caixas dessas companhias de aviação.

O esgotamento financeiro das famílias brasileiras também travou novos reajustes tarifários drásticos. O mercado operou com 82% de taxa de ocupação dos assentos no primeiro semestre, limitando a margem para expansão do público.

Pressão de custos no segundo semestre

O cenário econômico de inflação e juros elevados obriga as companhias a segurarem o preço das passagens aéreas para manter a demanda aquecida. Repassar toda a carga de despesas extras afastaria novos clientes e forçaria o cancelamento de viagens já planejadas.

Espera-se que as companhias registrem mais pressão nos balanços do segundo trimestre, a escala do aumento dos combustíveis não será totalmente compensada”, afirma o executivo da FecomercioSP.

Anac e IBGE divergem sobre inflação das passagens aéreas

O litro do combustível de aviação custou em média R$ 5,30 entre março e junho, número superior aos R$ 3,88 registrados no mesmo período de 2025. O custo médio dos bilhetes passou de R$ 614 para R$ 671, segundo o balanço oficial da federação.

As pesquisas de preço mostram metodologias diferentes. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mede tarifas com dois meses de antecedência, captando alta anual de 52% nas viagens. Já a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) analisa apenas os bilhetes efetivamente comercializados, refletindo com maior precisão a absorção de custos no valor final das passagens aéreas.

  • Publicado: 05/08/2026 15:12
  • Alterado: 05/08/2026 15:12
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FecomercioSP