Willer Tomaz diz que sala secreta era sala-cofre
Willer Tomaz afirma que espaço encontrado pela Polícia Federal em hangar de Brasília era usado por empresa de táxi-aéreo para atender transportadoras de valores
- Publicado: 24/10/2026 13:30
- Alterado: 24/10/2026 13:30
- Autor: Gabriel de Jesus
O advogado Willer Tomaz afirmou que a chamada “sala secreta” encontrada pela Polícia Federal (PF) em um hangar no Aeroporto de Brasília era, na verdade, uma sala-cofre utilizada por sua empresa de táxi-aéreo para prestar serviços a transportadoras de valores. A declaração foi publicada em um vídeo no Instagram na quinta-feira (22), após a descoberta do espaço levantar suspeitas entre os investigadores.
Segundo Willer Tomaz, o cômodo é utilizado para armazenar valores temporariamente antes e depois do transporte. “A sala é uma sala-cofre no hangar da empresa de táxi-aéreo da qual eu sou sócio. Ela existe porque a empresa presta serviço para transportadoras de valores, algumas das maiores do país, com contrato”, declarou.
O espaço foi localizado em agosto, após uma denúncia anônima. A sala ficava atrás de um painel de madeira e tinha uma porta aparentemente blindada. Durante a busca, os policiais encontraram prateleiras, malas e uma máquina de contar dinheiro. Não havia dinheiro em espécie no local.
Willer Tomaz contesta suspeitas da PF
No vídeo, Willer Tomaz defendeu a estrutura e afirmou que ela é compatível com a atividade de transporte de valores. “Quem tem sala-cofre não anuncia endereço. Transportadora de valores transporta dinheiro, objetos de valor, atividade legal, regulada, fiscalizada. Um malote precisa de lugar seguro antes e depois do deslocamento. Esse lugar é a sala-cofre”, disse.
O advogado também mencionou a presença da porta blindada, de grades e da máquina de contar cédulas como elementos necessários à segurança do espaço. Segundo ele, o relatório da PF reconhece que a estrutura é compatível com a custódia de valores.
Apesar da ausência de dinheiro em espécie, os investigadores suspeitam que o local pudesse ser utilizado para guardar cédulas e outros bens. A apuração integra uma investigação mais ampla sobre possíveis movimentações financeiras suspeitas.
Advogado nega ligação de Flávio Bolsonaro com empresa
Willer Tomaz também negou que o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha qualquer relação com sua empresa de táxi-aéreo ou com as transportadoras de valores atendidas pelo negócio.
“O Flávio não tem nada a ver com a minha empresa de táxi-aéreo, nem com transportadoras de valores, nem com nenhuma outra empresa. Não tem nada de ilícito ali. Um serviço legal, empresa devidamente constituída com autorização e contrato”, afirmou.
Os endereços ligados ao advogado foram alvo de buscas da PF no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Uma das linhas de investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro que poderiam ter beneficiado políticos.
O próprio Willer Tomaz foi alvo da operação. Durante as diligências, os policiais encontraram outra máquina de contar dinheiro na residência do advogado e apreenderam quatro aeronaves pertencentes a empresas ligadas a ele.