Violência contra as mulheres ganha reforço com patrulha SP Mulher Segura
Programa Patrulha SP Mulher Segura realiza visitas preventivas e oferece apoio a vítimas de violência contra as mulheres após denúncias de agressão
- Publicado: 07/08/2026 17:24
- Alterado: 07/08/2026 17:24
- Autor: Daniela Penatti
Uma viatura da Polícia Militar (PM) chega à frente da residência de uma mulher que já denunciou agressões dentro de casa. Desta vez, a equipe não foi chamada para atender uma ocorrência, mas para saber como ela está e oferecer suporte. A iniciativa faz parte da atuação da Patrulha SP Mulher Segura, serviço criado para acompanhar vítimas após denúncias contra os agressores.
Violência contra as mulheres recebe acompanhamento preventivo

Nesta sexta-feira (7), a Operação Lilás mobilizou 25 viaturas para visitas de acompanhamento e ações preventivas. A atividade integra a programação do Agosto Lilás, campanha que celebra os 20 anos da Lei Maria da Penha em todo o estado de São Paulo.
A operação reúne aproximadamente 140 policiais militares divididos em duas frentes. Enquanto as equipes da Patrulha SP Mulher Segura realizam visitas às vítimas, 16 viaturas da Força Tática atuam no cumprimento de mandados de prisão determinados pela Justiça contra suspeitos de agressão.
As visitas são previamente agendadas e conduzidas por policiais especializados no atendimento a casos de violência doméstica. Cada viatura conta com pelo menos uma policial feminina, preparada para acolher mulheres que ainda enfrentam consequências emocionais após as agressões.
Durante o atendimento, os agentes verificam se houve novas ameaças, analisam a situação familiar e orientam sobre direitos, medidas protetivas e serviços públicos disponíveis. Quando necessário, as vítimas também são encaminhadas para outras áreas de apoio.
Apoio busca evitar agravamento dos casos

“O objetivo é mostrar que ela não está sozinha. Muitas vezes, a vítima se surpreende quando a policial chega à casa apenas para saber como ela está, verificar se o ambiente continua seguro e entender do que ela precisa para seguir em frente”, afirma a tenente Camila Aires, integrante da PM há 18 anos.
Com o apoio da assistência social, as mulheres podem ser direcionadas para atendimento psicológico, suporte jurídico, programas de autonomia financeira e até abrigos sigilosos em situações de risco. A medida busca oferecer condições para que elas possam reconstruir a vida com segurança.
Segundo o secretário executivo da Segurança Pública de São Paulo, Hengel Ricardo Pereira, o acompanhamento próximo contribui para impedir que episódios de violência doméstica evoluam para crimes mais graves.
“A violência muitas vezes escala. Ela começa com agressões dentro de casa e pode terminar em um feminicídio. A busca ativa e as visitas solidárias permitem acompanhar as vítimas e reforçar as políticas de proteção às mulheres do Governo de São Paulo”, declarou.
A tenente Ayres explica que a maioria das vítimas aceita receber as equipes da Patrulha SP Mulher Segura. Nos casos de recusa, geralmente as mulheres relatam compromissos pessoais como motivo para não receber a visita.
Ela destaca ainda que muitas vítimas não reconhecem determinadas situações como agressões. “Já atendi uma ocorrência em que uma jovem de 20 anos teve um dedo cortado no dente pelo companheiro. Quando perguntei se aquela tinha sido a primeira vez, ela respondeu que não. Antes, havia xingamentos, objetos jogados e empurrões, mas ela não percebia aquilo como violência”, relatou.
Patrulha amplia rede de proteção

A Patrulha SP Mulher Segura integra o programa SP por Todas, iniciativa do Governo de São Paulo voltada ao enfrentamento à violência contra as mulheres. Além das visitas presenciais, as vítimas contam com recursos como a Cabine Lilás e o aplicativo SP Mulher Segura.
O estado também mantém uma estrutura formada por 235 salas DDMs online e 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), ampliando os canais de atendimento e denúncia.
As ações de acompanhamento são consideradas uma estratégia para identificar riscos, fortalecer a proteção e combater a violência contra as mulheres em diferentes situações.