Varejo paulista deve criar 20,5 mil vagas no fim do ano

Com 20,5 mil novos postos previstos para o final de ano, o setor sofre com a desaceleração nas vendas e a crise de grandes empresas.

Varejo paulista deve criar 20,5 mil vagas no fim do ano

Crédito: Eduardo Merlino/PSA

O Varejo no Estado de São Paulo prevê a geração de 20,5 mil novas vagas com carteira assinada durante os meses de outubro e novembro. A movimentação atende ao aumento da demanda para a Black Friday e o Natal, mas representa o pior desempenho na abertura de postos desde 2020.

O levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) indica que os supermercados e as lojas de vestuário devem concentrar até 65% dos empregos temporários. As contratações miram principalmente vendedores, atendentes, operadores de caixa e repositores.

Queda nas vendas afeta ritmo no varejo

Os indicadores macroeconômicos mostram que a redução no faturamento limita a capacidade de expansão das empresas. Os dados revelam que o faturamento real do comércio paulista caiu 6,1% no acumulado do ano até o mês de julho.

A Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) registra um recuo de 3,5% no acumulado de 12 meses. O setor abriu 23,9 mil postos de trabalho no mesmo período do ano passado, evidenciando a retração atual da economia. Pouco mais de 11 mil postos foram fechados no Estado até agosto.

Crise corporativa e automação impactam o varejo

O desempenho tímido do varejo reflete também a crise financeira de grandes marcas e os recentes casos de recuperação judicial. Esse quadro levou ao fechamento de dezenas de lojas ao longo dos últimos meses e enxugou a necessidade de novos funcionários.

As discussões sobre o fim da escala 6×1 e os altos custos trabalhistas aceleraram o processo de automação no comércio. As redes de supermercados intensificaram a instalação de caixas de autoatendimento, cortando drasticamente a demanda por operadores humanos na ponta.

Avaliação de temporários para efetivação

Os novos contratos duram no máximo 90 dias, mas os gestores utilizam o período para garimpar talentos definitivos. Os lojistas precisam monitorar de perto a assiduidade, a pontualidade e a produtividade dos trabalhadores diante da alta pressão sazonal.

“É fundamental que os lojistas observem o perfil dos profissionais para identificar reais possibilidades de efetivação, comparando o desempenho individual com a média da equipe”, orienta a direção da FecomercioSP no relatório do levantamento.

A observação rigorosa do desempenho ajuda a reduzir os custos futuros com recrutamentos e novos treinamentos. Mesmo diante das dificuldades econômicas, a retenção dos melhores profissionais garante equipes preparadas para os próximos desafios do varejo.

Thiago Antunes

  • Publicado: 03/11/2026 10:51
  • Alterado: 03/11/2026 10:51
  • Autor: Thiago Antunes