Valdemar afirma que desaprovou carta de Flávio Bolsonaro
Em visita a Jair Bolsonaro autorizada pelo STF, Valdemar Costa Neto declara que não aprovou o teor de carta publicada por Flávio Bolsonaro após o segundo turno
- Publicado: 29/10/2026 10:24
- Alterado: 29/10/2026 10:24
- Autor: Daniela Ferreira
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, declarou nesta quinta-feira (29) que desaprovou os termos da carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A manifestação ocorreu na chegada a um condomínio em Brasília, onde o dirigente se encontrou com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em cumprimento de prisão domiciliar. Questionado por jornalistas a respeito do documento divulgado na véspera pelo parlamentar, Valdemar respondeu pontualmente: “Não gostei, não gostei”.
O encontro presencial entre o presidente da sigla e o ex-mandatário foi viabilizado após autorização formal expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de ingressar no imóvel, Valdemar relatou aos repórteres que levaria ao ex-presidente informações sobre as reuniões partidárias recentes e o quadro político do partido no período pós-eleitoral.

Publicação e alteração do manifesto de Flávio Bolsonaro
A declaração do presidente do PL ocorre em meio à repercussão do texto publicado por Flávio Bolsonaro na tarde de quarta-feira (28) em redes sociais. Na primeira versão divulgada publicamente, Flávio Bolsonaro se autodeclarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e fez menções a irregularidades no processo eleitoral, utilizando também uma imagem do brasão da República com a inscrição histórica “Estados Unidos do Brazil”.
Pouco depois da postagem original, a publicação foi retirada do ar e substituída por uma nova redação, na qual a expressão inicial foi alterada para “líder” do país. No documento reformulado, Flávio Bolsonaro indicou a intenção de estruturar a oposição ao governo eleito a partir do exterior.
A manifestação gerou reações no meio político e contrastou com a posição do diretório nacional do próprio PL, que já havia publicado nota institucional reconhecendo o resultado das urnas proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Viagem aos Estados Unidos e resposta das autoridades
A divulgação do manifesto ocorreu após a confirmação de que Flávio Bolsonaro havia deixado o território nacional na noite de terça-feira (27/10). A viagem transcorreu no período em que havia sido determinada pelo ministro Alexandre de Moraes a entrega dos passaportes do parlamentar às autoridades judiciais.
O deslocamento iniciou-se por terra pela fronteira com a Argentina, de onde o senador embarcou em aeronave executiva que realizou escala técnica de reabastecimento em Guayaquil, no Equador, antes de pousar no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, no estado da Flórida.

Lideranças que atuaram na coordenação da campanha do PL, como o senador Rogério Marinho (PL-RN), relataram publicamente que não foram informadas com antecedência sobre a saída do país ou sobre a elaboração do manifesto.
Após as contestações expressas na carta, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, reafirmou publicamente que a votação e a totalização ocorreram dentro da normalidade e sob a vigência dos dispositivos constitucionais.
No segundo turno de votação, realizado no domingo (25/10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve a reeleição com 64,2 milhões de votos (51,79% dos votos válidos), contra 59,8 milhões de votos (48,21%) recebidos por Flávio Bolsonaro.
Diante do cenário, a presidência nacional da legenda convocou dirigentes estaduais para alinhar a atuação formal da bancada parlamentar no Congresso e definir a condução da legenda em relação aos desdobramentos judiciais.