Vacina fortalece combate a doenças respiratórias

Especialista explica como a vacina contribui para o controle de doenças, protege a população e evita o retorno de enfermidades já eliminadas

Crédito: André Baldini/PMD

Com a chegada das estações mais frias do ano, aumenta a circulação de vírus respiratórios e também a importância da imunização. No dia 22 de junho, começou a ser aplicada a vacina Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) em crianças de até cinco anos em diversas cidades do país. O imunizante possui fórmula atualizada e amplia a proteção contra bactérias transmitidas pelo ar, responsáveis por infecções como otite, sinusite, pneumonia e meningite.

As iniciativas reforçam que a imunização permanece entre as principais estratégias de saúde pública para controlar e erradicar doenças. A doutora e professora dos cursos de graduação e pós-graduação em Enfermagem da Universidade Guarulhos (UNG), Jussara Carvalho dos Santos, destaca que a vacina é uma medida comprovadamente eficaz para reduzir a circulação de vírus e bactérias, além de proteger toda a população.

“Quando uma parte elevada da população está imunizada contra uma doença, a transmissão do agente infeccioso é interrompida, protegendo inclusive as pessoas não vacinadas. Esse processo é conhecido como imunidade de rebanho“, explica.

Vacina garantiu conquistas históricas no combate às doenças

A história da imunização registra avanços expressivos na saúde pública. Um dos principais exemplos é a erradicação da varíola. Segundo Jussara Carvalho dos Santos, o Programa Intensificado de Erradicação da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizado entre 1967 e 1980, combinou campanhas em massa e a estratégia de imunização em anel, que consistia em proteger todas as pessoas que conviviam ou tiveram contato com casos suspeitos ou confirmados da doença. A iniciativa evitou milhões de mortes e gerou economia bilionária aos sistemas de saúde.

No Brasil, o Ministério da Saúde criou, em 1973, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), permitindo a implantação de um sistema nacional de registro das doses aplicadas. A medida fortaleceu o monitoramento epidemiológico e auxiliou na tomada de decisões para o enfrentamento das doenças infecciosas.

Cobertura vacinal evita o retorno de doenças

Na década de 1980, enfermidades como poliomielite e sarampo chegaram a ser eliminadas em diferentes regiões do mundo graças à ampla cobertura vacinal. Apesar dos avanços, especialistas alertam que é necessário manter índices superiores a 90% de imunização para impedir a volta desses vírus.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente 50 imunobiológicos, entre vacinas, soros e imunoglobulinas, garantindo proteção contra doenças como sarampo, poliomielite, rubéola, tétano, hepatite B e coqueluche.

Outro marco recente ocorreu durante a pandemia de Covid-19. Após o início da aplicação da vacina, em janeiro de 2021, houve redução significativa no número de casos e de mortes. Com um ano de campanha, 84% da população brasileira já estava imunizada, contribuindo para prevenir 74% dos casos graves e 82% dos óbitos, segundo dados do Observatório da Covid-19 Brasil.

Desinformação ainda desafia campanhas de imunização

Apesar da ampla oferta de imunizantes, parte da população ainda deixa de seguir o calendário recomendado ou não completa o esquema vacinal. Para a professora da UNG, essa decisão compromete tanto a proteção individual quanto a coletiva.

“Isso reduz a eficácia da proteção individual, pois muitas vacinas necessitam de múltiplas doses para garantir uma resposta imune robusta e duradoura“, afirma.

Ela ressalta ainda que a proteção deve acompanhar o cidadão durante todas as fases da vida, da infância à terceira idade, com o cumprimento rigoroso do calendário nacional.

Outro desafio é o avanço da desinformação, que provoca medo e alimenta a falsa ideia de que apenas uma dose é suficiente. Segundo Jussara, a hesitação em aderir à vacina resulta de fatores históricos, psicológicos e sociais, exigindo estratégias integradas de comunicação, educação e ampliação do acesso.

A especialista alerta que a queda das coberturas vacinais favorece o retorno de doenças antes controladas e reforça que manter os esquemas completos de imunização é uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade para prevenir novas ameaças à saúde pública.

  • Publicado: 29/06/2026 16:59
  • Alterado: 29/06/2026 16:59
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: UNG