Vá em paz, agosto e, da próxima vez, pega leve
Entre perdas, despedidas e recomeços, agosto deixou marcas profundas e nos fez desejar que setembro seja mais leve
- Publicado: 31/08/2026 15:12
- Alterado: 31/08/2026 15:12
- Autor: Gabriel de Jesus
Espero que o próximo agosto seja melhor. O deste ano talvez seja para esquecer — ou para lembrarmos que a vida nos dá algumas rasteiras para ver se estamos ligeiros. A bem da verdade, sempre esperamos que o mês seguinte seja melhor, e era isso que eu esperava quando pulamos de julho para agosto. Mas, desta vez, simplesmente o tabuleiro virou ao contrário.
No começo dele, já nos primeiros dias, recebi a informação de que um tio estava adoecido no interior de São Paulo, o que nos fez correr, no dia 06, para vê-lo e nos despedirmos. Mas a realidade é que havia esperança, como sempre há em todos os casos. Diante das complicações, porém, sabíamos das dificuldades. Na madrugada do dia 08, agosto quis cravar e dilacerar um dos dias mais tristes da minha vida — e também da vida de tantas pessoas que estavam ao meu lado. Ver partir pessoas que a gente acompanha e com quem convive ao longo de uma vida não é uma imagem que gostamos de carregar.
À medida que os dias foram passando, veio também a dificuldade de se adaptar. Trabalhar em um local diferente, ir treinar todos os dias a uns 5 km mais distante, gravar conteúdos, gravar o ABC Cast… tudo acabava sendo feito de forma improvisada. Internet que para e volta a funcionar. Sem microfone. Sem câmera. Em meio a uma vida de interiorano que, basicamente, nunca tive muito, mas que, durante o caminho, me fez lembrar dos bons tempos da infância e de que a vida também teve seus momentos de valor. Basicamente cresci ali, me desenvolvi lá, e estar naquele lugar como homem adulto, profissional, tendo de fazer a transição entre a vida bela de um adolescente que brincava no gramado e um gramado que, agora, nos trouxe dor.
O restante de agosto também foi dureza
Em meio à tentativa de me recuperar desse baque, agosto vai e nos dá outra facada. No dia 18, o Brasil perde Laura Cardoso e Glória Menezes, e quis o destino que, naquele dia, eu estivesse de plantão e fizesse a cobertura da despedida de Glória. Não que houvesse uma ligação no sentido de proximidade, como no caso anterior, mas, pelas novelas que acompanhei na infância e na adolescência, era impossível não me emocionar com aquela despedida.
Em raros momentos, este agosto até que nos reservou certas oportunidades para também celebrarmos a vida. No dia 23, dona Marina celebrou suas 82 primaveras — e não contemos para ninguém, mas, de uma forma mais contida, obviamente, foi um dos dias em que pudemos respirar em meio a todas as tensões que estávamos vivendo.
E, como agosto sempre demora pra burro para terminar, ainda nos reservou mais uma história que deixou as pessoas receosas e apreensivas. A notícia do diagnóstico da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), do influenciador de aviação Lito Sousa. Nas últimas semanas, vimos suas condições piorarem e, ao mesmo tempo, pessoas na internet se mobilizando para enviar apoio a ele e a toda a sua família. Cada dia que passa, do lado de cá, também renovo minhas esperanças e minha força. A gente sempre acaba torcendo para que, mesmo em meio às dificuldades, seja possível encontrar um caminho.
E, na última sexta-feira, veio a notícia de uma querida colega de trabalho, Danielle Penatti, que encerrou sua histórica passagem por nosso portal, deixando um legado para todos que trabalham aqui e que, certamente, servirá de inspiração para tudo o que fazemos atualmente.
No fim de julho, Jão, cantor de quem sou fã, lançou o disco Memórias Póstumas, em que descreve uma perspectiva muito bonita de encarar o luto e de como podemos ressignificar as coisas em nossa vida, dar significado ao que deixou de ter. E é com a frase “Eu só quero ser feliz de novo”, da música Aurora, que digo uma coisa…
Setembro sempre chega. E que possa chegar com mais alívio, com a paz que possa correr através dos nossos dias. Que a chuva que virá para setembro limpe o que agosto fez conosco e nos conduza para um mês mais estável, sem tantos abalos. E, como diz a mesma música, “sem punir meus olhos por sorrir”.
E, agosto, quando retornar no ano que vem, só um recado: pega leve!