Turismo fatura R$ 143,1 bi no 1º semestre de 2026
Setor de turismo cresce 3,5% no acumulado do ano e registra o maior faturamento para os primeiros seis meses em 15 anos
- Publicado: 26/08/2026 22:05
- Alterado: 26/08/2026 22:05
- Autor: Daniela Ferreira
O setor de turismo no Brasil registrou um faturamento bruto de R$ 143,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, consolidando o maior resultado financeiro para o período nos últimos 15 anos (desde 2011). Segundo a Pesquisa de Faturamento do Turismo Nacional, elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor apresentou um crescimento de 3,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando o montante somou R$ 138,3 bilhões.
O desempenho nos primeiros seis meses foi puxado prioritariamente pelas atividades de transporte aéreo de passageiros (alta de 5,7%) e de alimentação (avanço de 5,6%).
Resultados por Segmento no Acumulado do Semestre
Todas as principais atividades do turismo nacional apresentaram expansão no acumulado de janeiro a junho de 2026, com exceção do transporte aquaviário:
- Transporte Aéreo de Passageiros: +5,7%;
- Alimentação: +5,6%;
- Transporte Rodoviário de Passageiros: +3,1%;
- Agências de Viagens, Operadoras e Serviços Turísticos: +2,6%;
- Atividades Culturais, Recreativas e Esportivas: +2,1%;
- Alojamento: +1,8%;
- Locação de Meios de Transporte: +1,0%;
- Transporte Aquaviário: -0,6%.
Desaceleração em Junho e Efeito Copa do Mundo

Apesar do saldo positivo no semestre, os indicadores do mês de junho sinalizaram uma desaceleração no ritmo de expansão do setor. A receita de junho atingiu R$ 22,4 bilhões, o maior valor já registrado para o mês na série histórica da pesquisa, representando uma alta de 2,1% na comparação anual, ritmo inferior aos 4,2% observados em maio.
Segundo os analistas da FecomercioSP, o desaceleramento em junho decorreu do início das transmissões da Copa do Mundo de Futebol de 2026. A atenção voltada ao torneio levou parte expressiva dos consumidores a adiar ou cancelar viagens de lazer e deslocamentos corporativos durante o mês.
Desempenho dos Setores no Mês de Junho:
- Transporte Aéreo: Liderou a receita do mês com R$ 6,8 bilhões (+2,9%), embora a Anac tenha registrado recuo de 1,2% no total de passageiros;
- Alojamento: Movimentou R$ 4,4 bilhões (-0,2%), impactado pela menor ocupação hoteleira média;
- Alimentação: Faturou R$ 3,6 bilhões (+4,9%);
- Locação de Veículos: Somou R$ 2,9 bilhões (-0,8%);
- Agências e Operadoras: R$ 1,7 bilhão (+3,0%);
- Transporte Rodoviário: R$ 1,7 bilhão (+2,4%);
- Transporte Aquaviário: R$ 737 milhões (+5,5% – maior crescimento proporcional do mês);
- Atividades Culturais e Esportivas: R$ 642 milhões (-0,9%).
Turismo Regional: São Paulo Mantém Liderança com R$ 6,3 Bi
Excluindo o transporte aéreo, o faturamento das atividades turísticas estaduais totalizou R$ 15,6 bilhões em junho (alta de 1,7% no ano e 2,6% no semestre).
O Estado de São Paulo manteve a liderança isolada ao movimentar R$ 6,3 bilhões no mês, respondendo por aproximadamente 40% de toda a receita operacional turística do país. Na comparação com junho de 2025, São Paulo cresceu 1,0%, acumulando alta de 3,6% no primeiro semestre.
Na sequência das maiores receitas nominais figuram o Rio de Janeiro (R$ 1,4 bilhão, alta de +7,3%) e Minas Gerais (R$ 1,4 bilhão, alta de +1,7%).
Variações Percentuais nos Estados:
- Maiores Altas em Junho: Acre (+20,6% – R$ 15M), Bahia (+16,0% – R$ 780M), Alagoas (+15,7% – R$ 93M), Rondônia (+13,8%) e Amapá (+10,9%);
- Maiores Retrações em Junho: Tocantins (-10,8%), Paraná (-4,5%), Ceará (-4,2%) e Pará (-4,0%).
Inadimplência Pressiona Perspectivas do 2º Semestre
Para o fechamento de 2026, a FecomercioSP mantém a estimativa de crescimento de 4,0% no faturamento do turismo nacional. Contudo, a entidade alerta para fatores de risco que podem conter a aceleração no segundo semestre:
- Inadimplência Elevada: Altas taxas de endividamento entre famílias e pequenas e médias empresas do setor;
- Calendário Eleitoral: As eleições municipais de 2026 tendem a alterar o cronograma de eventos corporativos e adiar decisões de investimento;
- Pressão Cambial: A oscilação do câmbio eleva os custos operacionais domésticos, reduzindo a competitividade do turismo interno em relação a viagens internacionais.