Turismo brasileiro fatura R$ 25,5 bilhões em julho e bate recorde
Setor de viagens registra o maior valor da série histórica para o mês, mas juros altos e crédito caro freiam o ritmo de crescimento.
- Publicado: 13/10/2026 10:04
- Alterado: 13/10/2026 10:04
- Autor: Thiago Antunes
O setor de Turismo no Brasil atingiu R$ 25,5 bilhões em julho, o maior valor já registrado para o mês na série histórica. O volume representa um crescimento de 2,6% em comparação com julho de 2025, de acordo com os dados da Pesquisa do Faturamento do Turismo Nacional, elaborada pela FecomercioSP.
O avanço ocorre de maneira mais lenta e acompanha a desaceleração geral da economia nacional. O impacto do crédito caro e a inadimplência elevada sobre a renda familiar limitam o orçamento. “O movimento reflete as dificuldades financeiras das famílias, que acabam pesando a decisão de gastar com lazer na atual conjuntura econômica”, avaliou a entidade de comércio.
Transporte aéreo e alimentação impulsionam Turismo
O transporte aéreo de passageiros liderou as receitas do mês, somando faturamento de R$ 8,1 bilhões, uma alta de 3%. A demanda doméstica sustentou o resultado, alavancando o crescimento de 2,4% no número de passageiros transportados. A tarifa média das passagens recuou para R$ 703, mesmo em um cenário onde o preço do querosene de aviação subiu mais de 50% em doze meses.
A alimentação voltada ao Turismo manteve o desempenho mais consistente do balanço, registrando R$ 3,9 bilhões e alta de 6,5% na comparação anual. A redução da inflação de insumos favoreceu os custos operacionais de bares e restaurantes. Na ponta oposta, os meios de hospedagem amargaram queda de 1,4% nas receitas, refletindo a sensibilidade de hotéis independentes e pousadas à contenção de gastos dos viajantes.
Bahia e São Paulo lideram altas estaduais
O mercado paulista manteve a dianteira econômica do país e respondeu por cerca de 40% do total arrecadado no Brasil. São Paulo faturou aproximadamente R$ 7 bilhões, impulsionado pelo fluxo contínuo de eventos corporativos na capital. A Bahia apresentou a maior variação percentual com alta de 18,7% e alcançou uma receita local de R$ 759 milhões.
A expectativa da federação de comércio projeta um avanço próximo a 4% no encerramento de 2026. Atingir essa meta faria o montante anual do país encostar em R$ 300 bilhões, configurando um patamar financeiro inédito para as empresas, prestadores de serviços e trabalhadores que dependem diretamente do setor de Turismo.