Tragédia entre Nepal e Tibete mobiliza equipes de resgate
Desastre entre o Nepal e o Tibete já deixou 362 mortos e mais de 1.300 desaparecidos, enquanto autoridades alertam para risco de nova inundação
- Publicado: 27/08/2026 15:51
- Alterado: 27/08/2026 15:52
- Autor: Daniela Penatti
Equipes de emergência intensificaram nesta quinta-feira (27) as buscas por mais de 1.300 pessoas desaparecidas após enchentes de grandes proporções região do Himalaia entre o Nepal e o Tibete. O número de mortos chegou a 362, segundo balanços preliminares divulgados pelas autoridades dos dois lados da fronteira.
A maior parte das vítimas, 359 pessoas, foi registrada em território nepalês. Outras três mortes foram confirmadas na região chinesa atingida pela tragédia. Os dados, no entanto, são divulgados separadamente por autoridades e veículos de imprensa, sem uma centralização única das informações.
Povoados foram devastados, construções ficaram soterradas e extensas áreas acabaram cobertas por lama e destroços. Helicópteros foram mobilizados para localizar sobreviventes e levar alimentos e outros suprimentos a milhares de pessoas isoladas em cidades e vales.
Nepal mobiliza helicópteros e milhares de agentes

As enchentes começaram depois do colapso de uma geleira, que lançou grandes volumes de rochas, gelo, lama e detritos nos sistemas fluviais das montanhas. O fenômeno, conhecido como colapso glacial, provocou um abalo equivalente a um tremor de magnitude 5,2.
Inicialmente, as autoridades chegaram a considerar a possibilidade de que um terremoto tivesse provocado a destruição.
Em território nepalês, a força das águas atingiu o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, além do vale do rio Bhote Koshi, a leste da capital. As regiões atingidas são conhecidas pela circulação de turistas e praticantes de trekking.
No lado chinês da fronteira, um deslizamento de terra alcançou o porto de Gyirong, arrastou veículos e provocou pânico entre moradores e viajantes.
Tibete registra desaparecidos e peregrinos seguem sem notícias

Vinte e quatro horas depois do desastre, as autoridades ainda não tinham informações sobre 823 pessoas, entre elas 517 turistas estrangeiros. Muitos dos desaparecidos viajavam como peregrinos hindus em direção ao Monte Kailash, local considerado sagrado na região do Tibete.
Entre os estrangeiros procurados pelas equipes de resgate estão 178 cidadãos da Índia, 65 dos Estados Unidos, 53 da Ucrânia, 51 da Malásia, 35 da Austrália, 33 do Reino Unido e 25 do Canadá, segundo informações do Escritório de Turismo.
A Espanha informou que quatro de seus cidadãos permaneciam desaparecidos.
Do lado chinês, a imprensa estatal contabilizou 558 desaparecidos após o deslizamento de lama que atingiu Gyirong. Desse total, 260 seriam estrangeiros, mas as nacionalidades não foram divulgadas.
Soldados usam cães farejadores nas buscas

Militares nepaleses utilizaram cães farejadores para tentar localizar corpos sob uma espessa camada de lama cinzenta. O trabalho das equipes é dificultado pelo acúmulo de destroços e pelas condições do terreno após a avalanche, que soterrou edifícios de vários andares.
Ganesh Aryal, administrador do distrito de Chitwan, afirmou que 103 corpos foram recuperados no sistema fluvial da região das planícies, a cerca de 100 quilômetros de Trishuli, uma das áreas mais atingidas.
Com a capacidade dos hospitais locais comprometida, autoridades começaram a montar tendas para receber os corpos e organizar o atendimento aos familiares. As vítimas que não puderem ser identificadas deverão passar por exames de DNA.
Mais de 5.000 militares e policiais participavam das operações. Apenas nesta quinta-feira, 125 pessoas foram retiradas das áreas atingidas, incluindo 20 estrangeiros, segundo Raja Ram Basnet, porta-voz do Exército.
Risco de nova inundação preocupa autoridades

As autoridades também monitoram um bloqueio em um trecho de um afluente do rio Bhote Koshi. A obstrução represou parte do curso d’água e aumentou o risco de uma nova enchente.
Especialistas alertam que o bloqueio na região superior do rio fronteiriço entre o país asiático e a China pode provocar uma segunda onda de inundações.
“Como ainda há um bloqueio na parte superior do rio fronteiriço entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que pode ocorrer uma segunda inundação”, afirmou Qianggong Zhang, chefe de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, sediado em Katmandu.
China trata desastre como prioridade nacional

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, visitou nesta quinta-feira a região atingida, segundo a agência estatal Xinhua. A presença do segundo principal dirigente do país, em uma visita que não havia sido anunciada previamente, foi interpretada como um sinal de que Pequim considera a tragédia uma prioridade nacional.
O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que a principal tarefa é concentrar todos os esforços na localização e no resgate das pessoas desaparecidas.
Os Estados Unidos prometeram US$ 500 mil em ajuda, valor equivalente a cerca de R$ 2,5 milhões.
O Dalai Lama também se manifestou nesta quinta-feira, dizendo que reza pelas vítimas e pedindo a adoção de medidas adequadas de assistência.
Líder espiritual do budismo, ele é considerado por Pequim um rebelde e separatista desde que deixou a região em 1959, após tropas chinesas reprimirem uma revolta local.