Terreno da PUC-SP é alvo de investigação municipal
Prefeitura abre processo para investigar exploração comercial de quadras pela PlayTennis no Ibirapuera. Entenda o imbróglio patrimonial na área municipal
- Publicado: 27/09/2026 14:11
- Alterado: 27/09/2026 14:11
- Autor: Leonardo Nogueira
O terreno da PUC-SP entrou na mira da Prefeitura de São Paulo nesta semana. A administração municipal iniciou um processo administrativo para apurar o funcionamento de uma escola de tênis dentro do complexo da Derdic (Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação), no Ibirapuera, zona sul da capital.
O imbróglio envolve a exploração privada de um espaço destinado a finalidades universitárias. O local abrange uma área doada pelo poder público em 1947 e duas faixas que ainda pertencem à prefeitura.
As regras de cessão no terreno da PUC-SP

A legislação proíbe expressamente a transferência das faixas municipais para terceiros. O terreno da PUC-SP possui condições rigorosas de ocupação ditadas por leis de 2003 e 2008, que garantiram uma concessão administrativa por 50 anos.
A abertura do processo não crava uma irregularidade imediata. O objetivo do município é rastrear a exata localização das quatro quadras esportivas e desvendar a natureza jurídica do acordo financeiro entre a Fundasp (Fundação São Paulo) e a PlayTennis.
Limites geográficos e indicativos aéreos
Sobreposições de imagens aéreas indicam que o complexo esportivo fica na área doada original. Esse fator, em tese, afastaria a ocupação indevida das faixas de restrição máxima.
Sem um levantamento topográfico oficial, essa localização serve apenas como um norte investigativo. Caso a operação ocorra na área antiga, o terreno da PUC-SP ainda precisa respeitar o uso universitário. A gestão da capital paulista precisa confirmar se a presença de uma academia particular fere as diretrizes originais estabelecidas há quase oito décadas.
O que dizem os envolvidos na apuração
A Fundasp garante a regularidade de toda a operação. A entidade ressalta que a instituição de ensino para surdos utiliza imóvel próprio e detém documentação atualizada periodicamente pelo poder público.
A gestão de Ricardo Nunes afirma não ter encontrado registros ou consultas sobre o funcionamento da PlayTennis no local, motivando a abertura da investigação oficial.
A empresa esportiva reforça que mantém o aluguel do espaço via contrato com a fundação e atesta a validade de todas as licenças operacionais. A dinâmica comercial da academia engloba as seguintes contrapartidas:
- Pagamento de aluguel mensal fixo à universidade.
- Manutenção integral e reforma da área esportiva.
- Oferta de espaço para eventos corporativos privados.
- Disponibilização de aulas gratuitas de tênis e futsal para alunos da Derdic.
O desfecho do caso dependerá de perícias técnicas nas plantas oficiais. A prefeitura deve mapear o terreno da PUC-SP nos próximos meses para decidir se a exploração esportiva no local preserva ou desvirtua a utilidade pública do espaço cedido.