Starship, colisão com a Lua e mais: o que a SpaceX está fazendo em 2026?
Entenda os principais projetos da empresa de setor espacial de Elon Musk
- Publicado: 11/08/2026 08:25
- Alterado: 11/08/2026 08:25
- Autor: Érica Oliveira/Plataformanet
A SpaceX voltou aos holofotes nas últimas semanas por causa de acontecimentos envolvendo seus foguetes. Em 24 de julho, a empresa realizou o 13º voo de teste da Starship, seu foguete mais ambicioso. Os resultados da missão motivaram a companhia a planejar um novo e inédito experimento para o próximo lançamento, previsto para o final de agosto. Dias depois, em 5 de agosto, um estágio de outro foguete da empresa (Falcon 9) colidiu com a superfície da Lua, após passar mais de um ano vagando pelo espaço. O evento foi monitorado por cientistas do mundo inteiro.
Fundada por Elon Musk, a SpaceX se tornou uma das principais empresas privadas do setor aeroespacial e tem investido em tecnologias voltadas à reutilização de foguetes e à redução do custo dos lançamentos. Entre seus projetos mais ambiciosos está a Starship, sistema que pretende transportar cargas e, futuramente, pessoas para destinos como a Lua e Marte.
Enquanto a colisão lunar chama atenção para os desafios relacionados ao lixo espacial, os novos testes da Starship mostram o avanço da empresa na tentativa de criar um foguete totalmente reutilizável. E é justamente essa combinação de sucessos, falhas e novas tentativas que ajuda a explicar o que a SpaceX está buscando em 2026.
O que são a Starship e o Super Heavy?
A Starship é o maior e mais poderoso sistema de foguete já desenvolvido, com mais de 120 metros de altura quando está completamente montado. O sistema é formado por duas partes principais: a nave Starship, que ocupa a parte superior, e o propulsor Super Heavy, responsável por fornecer a maior parte da força necessária para tirar o conjunto do solo.
A grande aposta da SpaceX está na reutilização. Em vez de descartar os componentes depois de cada missão como acontece com os foguetes tradicionais, a empresa pretende recuperar o Super Heavy e a nave Starship para prepará-los para novos voos. Esse diferencial do projeto reduziria drasticamente o tempo e os custos entre uma missão espacial e outra.
O sistema ainda está passando por testes. Mas tem o objetivo de transportar pessoas e cargas para a órbita terrestre e apoiar missões lunares. E no futuro, segundo os planos de Elon Musk, levar seres humanos a Marte.
Dos primeiros testes aos avanços de 2026
A trajetória da Starship está longe de ser marcada apenas por pousos bem-sucedidos. Os primeiros voos realizados em 2023 e 2024 foram acompanhados por explosões e falhas. Porém, nos testes seguintes, a SpaceX conseguiu ampliar gradualmente o tempo de voo e controlar melhor o retorno dos componentes.
Um dos principais avanços aconteceu no quinto teste, em outubro de 2024, quando o Super Heavy foi capturado pela primeira vez por dois grandes braços mecânicos conectados à torre de lançamento. O procedimento passou a ser uma das marcas do projeto e foi repetido em outras ocasiões, chegando à terceira captura do propulsor em março de 2025. No entanto, a nave Starship ainda não havia sido recuperada dessa maneira.
O 13º voo, realizado em 24 de julho de 2026, trouxe novos resultados importantes. A missão colocou pela primeira vez 20 satélites Starlink V3 em uma trajetória suborbital, fez um religamento dos motores no espaço e demonstrou uma evolução no retorno da nave. A Starship atravessou a reentrada atmosférica, manteve o controle e realizou o pouso mais suave registrado até então ao aterrissar no Oceano Índico, permanecendo inteira e até flutuando na água.
Embora a recuperação do veículo tenha sido tentada após o pouso, as condições do oceano dificultaram o trabalho. Em uma publicação do X (antigo Twitter), Elon Musk afirmou que a recuperação completa da nave provavelmente não será possível. Ainda assim, a operação permitiu obter imagens de perto de áreas importantes, como o escudo térmico e os motores, que poderão ajudar nas próximas versões da Starship.
O que está previsto para o Voo 14?
O bom desempenho da nave no 13° voo abriu caminho para uma tentativa inédita no próximo lançamento. A SpaceX pretende, pela primeira vez, capturar a nave Starship com os braços mecânicos da torre de lançamento. Até agora, apenas o propulsor Super Heavy havia sido capturado dessa forma, em três voos anteriores.
Além da tentativa de captura da nave, o Voo 14 pode ser o primeiro da Starship a colocar cargas úteis em órbita operacional e não apenas em trajetória suborbital, como ocorreu no Voo 13. Os planos foram revelados por Elon Musk na primeira chamada de resultados financeiros da SpaceX desde seu IPO. A realização do voo depende ainda da autorização dos órgãos reguladores americanos.
O foguete da SpaceX que foi parar na Lua
Enquanto os planos para a Starship avançam, outro foguete da empresa virou notícia de forma inesperada. Na madrugada do dia 5 de agosto, um estágio superior de um Falcon 9 colidiu com a superfície da Lua. Lançado em janeiro de 2025, o foguete havia passado mais de um ano vagando pelo espaço sem destino. O impacto ocorreu próximo à Cratera Einstein a uma velocidade estimada em cerca de 8.000 km/h. A colisão foi confirmada pela NASA e pela SpaceX, e pesquisadores estimam que gerou uma cratera de 18 metros de diâmetro.
O evento aconteceu porque o estágio superior do Falcon 9, diferentemente do primeiro estágio, que é projetado para retornar e pousar, não possui sistema de retorno. Após cumprir a missão de enviar as cargas para a trajetória lunar, o componente ficou à deriva no espaço, e perturbações gravitacionais ao longo dos meses acabaram direcionando-o para um caminho de colisão com a Lua.
O caso reacendeu o debate sobre o gerenciamento de detritos espaciais em órbitas além da Terra, onde o rastreamento de objetos é tecnicamente mais difícil do que em órbitas baixas.
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