Selic deve cair, mas desafio fiscal segue, diz FecomercioSP
Banco Central sinaliza nova redução da taxa de juros, enquanto especialistas alertam para a gravidade da dívida e da inflação no Brasil.
- Publicado: 03/08/2026 14:49
- Alterado: 03/08/2026 14:49
- Autor: Thiago Antunes
A taxa Selic deve registrar uma nova redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros durante a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta semana. O indicador gerenciado pelo Banco Central (BC) recuará, estabelecendo a taxa em 14% ao ano em meio a um cenário de desaceleração da inflação.
O índice de inflação acumulado nos últimos 12 meses atingiu 4,64% na medição recente. A alta de junho refletiu estritamente fatores sazonais ligados à energia elétrica, enquanto os dados de preços apurados pelo IPCA-15 vieram abaixo das expectativas traçadas pelo mercado financeiro.
Mesmo com o ajuste na Selic, a taxa real de juros praticada no país permanece alta, oscilando entre 9% e 10% anuais. O afrouxamento monetário mascara um problema estrutural gravíssimo que segue pendente de resolução na administração governamental.
Corte da Selic não resolve a deterioração das contas públicas
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) defende que a política monetária atua sobre sintomas que não consegue curar de forma isolada. A soma da dívida federal com os passivos estaduais e municipais já encosta nos 80% do Produto Interno Bruto (PIB).
O retorno do conflito tarifário com os Estados Unidos e a forte volatilidade dos preços do petróleo no exterior pressionam o orçamento nacional de maneira agressiva. A situação interna piora severamente com o peso bilionário dos precatórios recolocando o governo no vermelho.
Endividamento crônico atinge as famílias brasileiras
O estrangulamento contínuo da renda agrava a crise nas classes mais baixas. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) evidenciam que 29,9% das famílias brasileiras possuíam contas atrasadas em junho, comprometendo praticamente um terço do orçamento doméstico apenas para pagar despesas.
O patamar atual da Selic falha em desestimular o consumo de quem detém o menor poder aquisitivo. A manutenção prolongada dos juros altos encarece o custo de vida geral e empurra a base da pirâmide para a inadimplência através de dívidas de cartão de crédito e crediário.
“O possível corte nesta semana não resolve nada do ponto de vista estrutural, já que os gastos públicos seguirão elevados e os resultados nominais continuarão piorando”, alertou a equipe técnica da FecomercioSP.
O país necessita revisar indexações e cortar despesas vinculadas obrigatórias para frear uma quebra de confiança no mercado financeiro. Caso o governo ignore a austeridade fiscal, o ajuste socioeconômico ocorrerá via inflação, punindo os mais pobres e corroendo qualquer benefício da queda da Selic.