Data: 09/05/2018 20:57 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo

Prato Feito: Maciel deixa FUABC e Secretaria em São Bernardo

Acusado de corrupção, o advogado Carlos Roberto Maciel, pediu exoneração do cargo de secretário da Coordenadoria de Assuntos Governamentais e renunciou à presidência da FUABC


Em nota, a Fundação do ABC informa que o advogado Carlos Roberto Maciel (PSB) não está mais à frente da Presidência da instituição. O gestor acaba de renunciar ao cargo, em consonância com o pedido de exoneração que o mesmo já havia entregue à Prefeitura de São Bernardo do Campo. A médica Dra. Adriana Berringer Stephan, até então vice-presidente da FUABC, assume o comando da entidade interinamente.

Maciel é suspeito no crime de corrupção passiva por ter facilitado a prorrogação do contrato entre a empresa de seu genro, Fábio Favaretto Mathias, administrador da Le Garçon, em 2017, de acordo com relatório dos investigadores da Polícia Federal.

A Le Garçon foi contratada pela administração de Luiz Marinho. A partir de escutas, investigadores apontam que Fábio manteve “parceria com o candidato (Orlando Morando, PSDB) que se tornou Prefeito com vistas a manter contratos com esta Prefeitura” parceria esta foi estabelecida a partir de Maciel.

A Polícia Federal foi ao Paço de São Bernardo, nesta quarta, e apreendeu uma série de documentos da sala onde trabalhava Maciel.

Segundo o secretário federal de Controle Interno adjunto da CGU, Roberto César Oliveira Viegas, a investigação mirava inicialmente cinco prefeituras.

 “Dessas cinco prefeituras, a gente fiscalizou um montante de algo em torno de R$ 12 milhões de repasses. Algo em torno de 20% a 25% e até 30%, a gente pode afirmar que foram desviados”, relatou.

 “Como se trata de cartel, essas empresas inicialmente, precificavam, criavam o preço de referência antes da etapa de licitação, se juntavam, criavam um preço referencial. Esse preço, como era as próprias que apresentavam as propostas, essa média já era uma média bem acima do mercado. A partir dessa referência, dentro do processo licitatório, você já tem um sobre preço.”

O secretário da CGU narrou que durante a investigação foram detectados ‘pagamentos para refeições bem acima, crescimento exponencial em relação ao número de alunos’.

 “Essas prefeituras incrementavam o quantitativo de alunos completamente diferente do Censo escolar. A quantidade e a qualidade, quando fornecidas, eram bem abaixo. Havia substituições, inclusive, bem consideráveis, na quantidade e naquilo que você deveria fornecer. O cardápio previa um café da manhã com cereais, um leite, isso não existia. Em grande parte dos casos apontados, você tinha biscoito com suco. Às vezes, cardápios ao longo do dia eram suprimidos”, afirmou.

A delegada Melissa contou que o nome da operação, Prato Feito, está ligado à inexecução de um dos contratos investigados.

 “As crianças podiam repetir os alimentos, as refeições várias vezes. Por conta das empresas desviarem recursos em benefício próprio e de agentes públicos, elas passaram a receber um prato feito. Por isso o nome da operação, é um prato determinado, uma quantidade determinada de alimentos. E também para evidenciar o conluio entre agentes públicos e empresários, já está tudo coordenado. Eu recebo a propina e o edital é direcionado para esse agente público”, explicou.

Melissa afirma que, após o afastamento do sigilo bancário dos alvos da Prato Feito, os investigadores identificaram ‘o dinheiro na conta de parentes dos assessores e secretários’.

 “Nós tivemos alguns casos de prefeito e dos próprios secretários. Na maior parte das vezes, de empresas indicadas em nome de laranjas”, relatou.

O que é chocante nessa investigação são os registros de inexecução contratual de fornecimento da merenda escolar”, afirmou a delegada da PF Melissa Maximino Pastor, chefe da Operação Prato Feito. “Tivemos registro, ao longo desses anos, de fornecimento, às vezes no lanche para as crianças, de uma bolacha maizena com leite diluído, suco substituindo leite, áudios de empresários que falavam: ‘corta a carne, fornece ovos todos os dias para essas crianças’. Isso causa uma indignação.”

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