Data: 13/08/2020 13:28 - Alterado em: 17/08/2020 14:02 / Autor: Redação / Fonte: Rede D'Or São Luiz

ABC comemora 20 anos da primeira cirurgia bariátrica

Há duas décadas, o Hospital Assunção, da Rede D’Or São Luiz, foi a unidade pioneira na região a realizar o procedimento


Em uma sociedade em que a base da alimentação é composta por carboidratos, enlatados, embalados e industrializados, comer mal virou sinônimo para a rotina de um obeso. Porém, indo na contramão do que muitos pensam, a obesidade é considerada uma doença crônica e progressiva que impõe restrições e dificuldades no dia a dia de milhares de pessoas. É uma condição médica e não algo que as pessoas "são", mas sim algo que elas "têm".

De acordo com pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, o índice de pessoas diagnosticadas com obesidade é o maior em 12 anos. Houve um aumento de 67,8% entre 2006 e 2018, sendo a maioria adultos entre 25 a 34 anos, totalizando 55,7% de obesos no País.

Além disso, a obesidade leva ao aparecimento de outras doenças no organismo, tendo como as mais comuns a hipertensão arterial sistêmica, diabetes e doenças coronarianas. Os fatores que contribuem para tal condição podem ser genéticos, comportamentais, fisiológicos e até mesmo culturais, e seu tratamento envolve um acompanhamento multidisciplinar rigoroso, que abrange medicamentos, hábitos comportamentais e de vida, prática de exercícios e, nos casos graves, a cirurgia bariátrica.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, mais de 100 mil cirurgias desse tipo são realizadas no Brasil anualmente, o que coloca o País atrás apenas dos Estados Unidos em relação a esse tipo de procedimento, que se tornou uma alternativa segura e eficiente não só para tratar a obesidade, mas também as doenças associadas a ela.

No Brasil, as primeiras cirurgias para o emagrecimento tiveram início na segunda metade da década de 90 nas capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em agosto dos anos 2000, há exatos 20 anos, o Hospital Assunção, localizado em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, em parceria com a RR Médicos, clínica especializada no diagnóstico e tratamento das doenças que acometem o aparelho digestivo e no tratamento cirúrgico da obesidade mórbida, realizavam a primeira cirurgia bariátrica da região.

O Dr. Marçal Rossi, cirurgião do aparelho digestivo, foi o médico responsável por essa primeira operação na região, realizada na recepcionista Roseli Moretti. A paciente sofria de obesidade mórbida e se submeteu a cirurgia para mudar de vida.

"Na época eu tinha 31 anos e pesava 104kg. Eu sentia dores nas pernas, nos joelhos e muito cansaço. Além disso, me sentia mal, do ponto de vista estético", conta. "A cirurgia foi um ponto de virada na minha vida, eu perdi 45kg e consegui manter um peso normal desde então. Minha autoestima e minha saúde melhoraram muito e, hoje, o estilo de vida saudável faz parte da minha vida. Estou super bem", comemora ela.

O Dr. Marçal Rossi conta que a cirurgia foi aberta e durou cerca de quatro horas. "Hoje, com a evolução da medicina e dos equipamentos médicos, o procedimento é realizado por meio de vídeo laparoscopia e dura cerca de 1h30, sem contar que a recuperação do pós-operatório é bem mais rápida, tendo, em média, 2 dias de internação", comenta Rossi. Em 2005, o Hospital Assunção também foi pioneiro na realização de cirurgias bariátricas laparoscópicas.

De lá para cá, a RR Médicos já operou mais de 8 mil pacientes de obesidade, sendo grande parte desses no Hospital Assunção, da Rede D’Or São Luiz. Atualmente, a equipe da unidade é composta pelos cirurgiões do aparelho digestivo Marçal Rossi, Renato Barretto da Silva e Ricardo Fernandes, e mais sete cirurgiões, além de outros profissionais que compõem o time multidisciplinar de atendimento aos pacientes.

A cirurgia é eficaz na melhora e no controle da obesidade e das muitas condições relacionadas e ela, mas os cuidados devem ser tomados no pré e pós-operatório: "Vale salientar que é importante que o paciente invista em mudanças comportamentais e no acompanhamento médico após a operação. Afinal, o sucesso da cirurgia é um trabalho conjunto entre o paciente e a equipe médica multidisciplinar que o acompanha", finaliza o médico.

Outro ponto de atenção para os pacientes neste momento é que a obesidade também é um fator de risco para a Covid-19. Nos EUA, 67% dos pacientes que morreram da doença eram obesos. Isso porque esse grupo de pessoas também enfrenta outras complicações, como hipertensão, cardiopatia, apneia do sono e diabetes.


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