São Bernardo adota armadilhas tecnológicas para conter dengue

São Bernardo instala armadilhas biológicas da Fiocruz na Vila São Pedro para mapear infestação e conter o avanço da dengue no inverno

Crédito: Ana Godoi/PMSBC

A Prefeitura de São Bernardo, sob a gestão de Marcelo Lima, iniciou a instalação de novas ferramentas tecnológicas que visam medir e reduzir a incidência do mosquito Aedes aegypti, vetor de graves arboviroses como zika, chikungunya, febre amarela e dengue. O projeto-piloto faz parte de uma estratégia nacional para conter a proliferação do inseto antes do período de maior transmissão.

Nesta primeira fase, as equipes técnicas implantaram seis ovitrampas — pequenos recipientes com água e levedo de cerveja que atraem a fêmea do mosquito para a postura de ovos. Essa etapa inicial serve para mapear o nível real de infestação na localidade.

Disseminadoras de larvicida reforçam combate no município

Na sequência do cronograma fixado pela Divisão de Veterinária e Controle de Zoonoses da Secretaria de Saúde, o município vai instalar 500 Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs). O funcionamento do dispositivo consiste em contaminar as pernas da fêmea do mosquito com o larvicida; ao buscar novos criadouros, ela mesma espalha o produto, interrompendo o ciclo de vida das larvas e mitigando os riscos de dengue.

A Vila São Pedro recebeu prioridade do Ministério da Saúde para o recebimento dos dispositivos por figurar entre as 20 maiores comunidades do Brasil. Desenvolvidas pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), as EDLs operam como baldes estratégicos posicionados em imóveis parceiros e quintais.

“O trabalho de prevenção precisa ser feito neste período de inverno, quando historicamente os casos caem. Para que quando chegar a próxima temporada de chuvas, época em que o mosquito se prolifera, eles tenham reduzido em quantidade. A médio e longo prazos, isso vai resultar na queda nos casos de dengue”, detalhou Ronaldo Novaes de Souza, coordenador das equipes de combate de endemias do CCZ.

Cronograma de vistorias e participação dos moradores

Os primeiros equipamentos foram distribuídos nesta quinta-feira, nas ruas Dos Pioneiros, Das Rosas e Bahia, além da Avenida Dom Pedro de Alcântara. Ao todo, cinco residências e a Igreja Diocesana de Santo André aceitaram os dispositivos.

  • Coleta de lâminas: Agentes retornam em cinco dias para recolher os ovos.
  • Permanência: As ovitrampas ficam nos locais por duas semanas.
  • Expansão: A instalação das 500 EDLs começará em agosto, durando seis meses.

O sucesso da contenção da dengue dependerá do apoio da população. Os agentes de endemias visitarão as casas mensalmente para monitorar os níveis de larvicida, mas cabe aos moradores repor a água dos baldes conforme as orientações técnicas recebidas.

São Bernardo lidera indicadores de controle de arboviroses

A nova tecnologia consolida o município como referência em saúde pública na Região Metropolitana de São Paulo. Dados extraídos do Painel de Monitoramento das Arboviroses apontam que, entre 1º de janeiro e 2 de maio, São Bernardo registrou o menor índice de contágio de dengue por grupo de 100 mil habitantes se comparado às dez maiores cidades da região (com mais de 300 mil habitantes).

O município computou uma taxa de apenas 5,4 ocorrências para cada grupo de 100 mil residentes. O desempenho se destaca quando confrontado com Osasco, cidade de porte similar, que atingiu 124,6 registros. Outras cidades vizinhas, como Barueri (10,5), Santo André (13,6) e Guarulhos (20,9), também apresentaram índices superiores no avanço da dengue.

  • Publicado: 02/07/2026 20:42
  • Alterado: 02/07/2026 20:42
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Prefeitura de São Bernardo