Data: 09/04/2013 18:13 / Autor: Robson Luiz Gisoldi / Fonte: Secom PSA

Taiji Takemoto é história viva dos laços entre Japão e Brasil

Morador de Santo André foi o precursor do projeto cidade-irmã com Takasaki e será um dos homenageados pela Prefeitura no próximo sábado (13)


Diretor de Relações Internacionais de Santo André, Wagner Fernandes, recebe senhor Taiji Takemoto
Diretor de Relações Internacionais de Santo André, Wagner Fernandes, recebe senhor Taiji Takemoto

Crédito: Divulgação/ PSA

 

Na semana em que Santo André comemora 460 anos de existência, personagens marcantes que ajudaram a construir a história da cidade merecem o destaque. Um deles, o senhor Taiji Takemoto, de 85 anos, carrega em sua trajetória elementos que praticamente consolidaram a relação entre Brasil e Japão, sendo o precursor da parceria das cidades-irmãs Santo André e Takasaki. Ele e os demais representantes das cidades-irmãs do município, Braga, Vouzela, Sesto San Giovani e Ilha de São Nicolau serão homenageados no evento em homenagem aos imigrantes, que será realizado no próximo sábado (13), 8h, no térreo 2 do Paço Municipal, em frete à estátua de João Ramalho.

Mesmo com uma vida repleta de realizações, o representante é sutil e simples ao definir o que o deixa mais satisfeito em sua história. “A maior realização da minha vida foi ser reconhecido como cidadão honorário da cidade de Santo André e ter recebido uma comenda do imperador do Japão. Também possuo grande apreço pelo ex-primeiro ministro do Japão Takeo Fukuda, que considero um japonês com coração brasileiro, pois ele sempre foi muito receptivo com relação à questão das cidades-irmãs”, resume, ao classificar o Brasil como “o País da amizade”.

Nascido no dia 18 de setembro de 1928, em Tóquio, o morador andreense veio ao Brasil em 1976, aos 38 anos de idade, como agricultor – já que somente nesta condição era permitida a imigração. Formado em engenharia e astronomia no Japão, Takemoto veio para o outro lado do mundo movido pelo sonho de montar um observatório astronômico, pois não havia nada similar na América do Sul. “Então encontrei uma vaga de emprego na empresa Ford, mas, na época, só eram contratados engenheiros formados pela Escola Politécnica – USP (Universidade de São Paulo) ou pelo ITA (Instituto Tecnológica de Aeronáutica), mas mesmo assim consegui a vaga e permaneci na empresa por cinco anos.”

Um ano após sua chegada, trouxe a esposa que fazia cálculos de astronomia e casou-se. Com ela, teve quatro filhos. Ao sair da Ford, obteve colocação no Grupo Matarazzo, no setor de mineração. “E por esta razão naturalizei-me brasileiro”, lembra Takemoto. Pela experiência obtida ao revelar fotos dos imigrantes no navio, durante a viagem de imigração para cá, percebeu que o fixador da revelação utilizava prata e outros minérios, passando então a ser um fornecedor da indústria fotográfica. Desta experiência, e com a descoberta de nova liga metálica, formou sua empresa Brastak, especializada em solda de prata para o setor automobilístico.

No início, a empresa era a última colocada no ranking do setor e, em três anos, tornou-se a melhor do ramo (pois tinha matéria prima praticamente a custo zero na permuta coma indústria fotográfica). A empresa liderava o mercado até pouco tempo atrás no Mercosul e, atualmente, tem sociedade com empresa americana, a fim de expandir a outros países.

INÍCIO DA PARCERIA – Takemoto lembra que a relação das cidades irmãs Santo André e Takasaki começou porque o ex-presidente da Câmara de Santo André, Emílio Magalhães, queria conhecer o Japão e iniciou o processo de geminação. “Eu queria que as colônias japonesas se preservassem e que assim tivessem força em todos os aspectos: desenvolvimento econômico, político e também pensando em toda sociedade andreense, decidi optar por Takasaki por ser uma cidade forte, para poder auxiliar no desenvolvimento econômico, político e cultural de Santo André, além de ser a segunda maior cidade do Japão, depois de Tokyo, e não ter nenhuma cidade irmã, à época”, acrescenta.

O representante destaca que, ainda no sentido de procurar preservar a história e os costumes do Japão, e considerando os laços de geminação entre as cidades, considera importante a parceria com a Prefeitura de Santo André na realização do Tanabata Matsuri, que significa Festival das Estrelas e é baseado em uma lenda chinesa sobre um casal de namorados que não pensava em outra coisa e foram “condenados” pelos deuses a se encontrar apenas uma vez por ano, no dia 7 de julho. Neste ano, o festival será realizado nos dias 13 e 14 de julho, na rua Santo André, próximo à Sociedade Cultural ABC Bunka Kyokai. Anualmente, o evento conta com a presença de 10 mil pessoas, em média.

Taiji Takemoto destaca que vários projetos foram criados fruto das cidades-irmãs. Um dos primeiros projetos levou jogadores de futebol do Aramaçan para Takasaki, em 1995, com uma delegação de 64 pessoas. Foi realizado simpósio de meio ambiente entre as cidades irmãs de Takasaki, de onde surgiu proposta ao Semasa para que adotasse os métodos de tratamento de água do município japonês para Santo André. À ocasião, técnicos andreenses foram ao Japão fazer um estudo do processo. “Ainda com relação ao meio ambiente, pedi verba para o primeiro ministro do Japão para ajudar o parque do Pedroso, que sem restrições, mandou recursos para que pudessem fazer a reforma”, comenta.

Além dessas ações, várias homenagens foram realizadas pela Prefeitura de Santo André, como o nome da Emei Cidade de Takasaki, à Rua Hatsuey Motomura, o Jardim Japonês do Parque do Pedroso, batizado como Jardim Cidade de Takasaki e o Parque Norio Arimura. “Pessoalmente, gostaria do fortalecimento da federação das colônias nipo-brasileiras, da qual sou idealizador e hoje conta com oito entidades”, resume Takemoto.

Para as gerações mais novas, o japonês-brasileiro deixa a seguinte mensagem: “sempre fiz o que gosto, então gostaria de dizer o mesmo aos jovens. Não importa se falta dinheiro ou tecnologia, tem de ter vontade de trabalhar para mudar o mundo. Se algo nessa caminhada não der certo, pois a vida é feita de altos e baixos, há um provérbio japonês que diz ‘cair sete vezes, desde que se levante oito’, complementado por um ditado budista sobre o caminho do sucesso: ‘o importante não é cair, mas a forma como se levantar’”, concluir.

Serviço
Homenagem aos Imigrantes
Data: 13/04/2013 - Horário: 8h
Local: no térreo 2 do Paço Municipal, em frente à estátua de João Ramalho

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