Data: 09/04/2013 13:20 / Autor: Eduardo Nascimento / Fonte: FUABC

Ambulatório de Infecções de Repetição completa 5 anos

Serviço realiza investigação imunológica de pacientes com episódios recorrentes de doenças como amigdalite, pneumonia, resfriado e sinusite


Dra. Anete Sevciovic Grumach
Dra. Anete Sevciovic Grumach

Crédito: Divulgação

 

O Ambulatório de Infecções de Repetição da Faculdade de Medicina do ABC completa 5 anos neste 2013. Trata-se do único serviço público do Grande ABC destinado à investigação imunológica de pacientes que apresentam episódios recorrentes de amigdalite, pneumonia, otite, resfriado e sinusite, entre outras doenças. O serviço teve início na disciplina de Pediatria e dedica-se atualmente à avaliação, diagnóstico e tratamento de pelo menos 30 pacientes por mês. As consultas são especializadas e duram aproximadamente 1 hora cada, seguidas de discussão de casos com equipe multidisciplinar composta por médicos – da Pediatria e Imunologia –, residentes, alunos de especialização e pela psicóloga Dra. Maria Regina Domingues de Azevedo.

O ambulatório funciona às quintas-feiras pela manhã no 3º andar do prédio da Hebiatria (Av. Príncipe de Gales, 821 - Santo André). Além de encaminhamentos, interessados podem procurar o setor pessoalmente ou obter mais informações com as doutoras Anete Sevciovic Grumach (asgrumach@gmail.com) e Neusa Falbo Wandalsen (nfwandalsen@uol.com.br).

Infecções de repetição

As infecções em geral correspondem a até 87% das doenças em adultos, 73% em crianças e 28% das consultas de emergência. Quando aparecem de maneira recorrente, caracterizam-se as infecções de repetição. A grande preocupação é porque aproximadamente 10% das crianças com infecção de repetição desenvolvem o problema em consequência de quadro de imunodeficiência primária. Contando também o público adulto, estima-se que 1 em cada 3 mil indivíduos são imunodeficientes.

As imunodeficiências primárias são deficiências do sistema imunológico. A grande maioria é congênita – quando o indivíduo nasce com esse defeito – e por isso são chamadas de primárias. A literatura médica já descreveu mais de 200 tipos de imunodeficiências primárias. Hoje, os estudos buscam descobrir quais as falhas genéticas e oferecer alternativas para que os pacientes tenham boa qualidade de vida e fiquem mais protegidos das infecções.

As infecções de repetição decorrentes de defeitos genéticos têm evolução incomum e ocorrem com frequência maior que a usual. “O pediatra ou o clínico têm condições de desconfiar que as infecções que o indivíduo apresenta não são comuns. Precisam saber a diferença entre um evento comum e quando não é somente um resfriado de repetição. É normal que crianças até dois anos tenham algumas infecções de repetição. Isso é devido à imaturidade imunológica e não pode ser caracterizado como imunodeficiência primária”, explica a médica pediatra e imunologista do Ambulatório de Infecções de Repetição da FMABC, Dra. Anete Sevciovic Grumach.

A fim de conscientizar a população para a prevenção, a fundação norte-americana Jeffrey Modell & Cruz Vermelha definiu 10 itens considerados “Sinais de Alarme” para suspeita de deficiência imunológica. São eles: 8 ou mais infecções de ouvido por ano; 2 ou mais sinusites por ano; uso frequente de antibióticos sem melhora; 2 ou mais pneumonias por ano; déficit no ganho de peso e no crescimento; abscessos de repetição; candidíase persistente na boca e na pele (em maiores de um ano de idade); necessidade de antibiótico endovenoso para infecções; 2 ou mais infecções graves como meningite, celulite, osteomielite ou septicemia; história familiar de infecções de repetição ou que lembre imunodeficiência primária.

Reconhecimento internacional

Apêndice do Ambulatório de Infecções de Repetição, o Laboratório de Imunologia da FMABC é considerado desde 2012 centro de referência para diagnóstico de Angioedema Hereditário (AEH). Estudo pioneiro realizado no local, em colaboração com a Universidade de Bonn, da Alemanha, foi apresentado ano passado pela Dra. Anete Sevciovic Grumach na Reunião Global de AEH, realizada na Dinamarca. A médica também levou o nome da Medicina ABC a Buenos Aires, quando foi vice-presidente do primeiro Congresso Latino americano de AEH e participou do Consenso de Classificação do Angioedema Sem Urticária, respondendo pela área de Angioedema Idiopático. Neste ano, Dra. Anete Grumach foi indicada para membro dos Comitês da Sociedade Latino Americana de Alergia e Imunologia e participa do Comitê de Angioedema Hereditário da Organização Mundial de Alergia (WAO).

Na Faculdade de Medicina do ABC, a interdisciplinaridade tem ocupado posição de destaque na Imunologia. Dr. Carlos Machado Filho, professor titular de Dermatologia, e a biologista Rosemeire Navickas Constantino, por exemplo, tiveram projeto de avaliação imunológica em vitiligo aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Também a Dermatologia conta com ambulatórios coordenados pela Dra. Roberta Criado, que atendem casos de urticária crônica e alergia a medicamentos em cooperação com a Imunologia. “Temos desenvolvido atividades didáticas na pós-graduação e graduação, contando com alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado”, destaca Grumach.

Com proposta de orientar acadêmicos para essas doenças pouco conhecidas dos médicos, foi organizada disciplina eletiva de Imunologia para estudantes de 4º ano, cuja coordenação está a cargo das professoras Marcia Mallozi e Anete Grumach. Todo o grupo também tem trabalhado no aprimoramento da Residência Médica especializada em Alergia e Imunologia, que é desenvolvida pela disciplina de Pediatria em conjunto com a Otorrinolaringologia, Pneumologia, Dermatologia e apoio da Coordenação de Pesquisa e Pós Graduação.

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