Salas Lilás passam de 2 mil atendimentos a vítimas em SP
O serviço especializado evita o contato das vítimas com seus agressores durante exames periciais e já contabiliza milhares de acolhimentos.
- Publicado: 05/09/2026 09:49
- Alterado: 05/09/2026 09:49
- Autor: Thiago Antunes
O Governo de São Paulo expandiu as Salas Lilás para o interior do estado. Os novos espaços operam dentro das unidades do Instituto Médico Legal (IML) nas cidades de Americana, Bauru e Presidente Prudente. A capital paulista também consolida o programa, somando 2.153 atendimentos periciais humanizados a mulheres, crianças e adolescentes no período recente.
A infraestrutura garante sigilo absoluto durante os exames de corpo de delito e exames cautelares. O formato separa o público vulnerável da rotina convencional das alas policiais e das triagens de embriaguez. Esse bloqueio físico barra qualquer possibilidade de a vítima cruzar com o próprio agressor na recepção do prédio.
Como funcionam as Salas Lilás
Servidores da Polícia Científica gerenciam o contato inicial nos postos regionais. Médicos-legistas de plantão assumem a responsabilidade técnica pela coleta de provas periciais. A iniciativa pioneira surgiu na zona oeste paulistana em junho de 2024 e agora pauta a reestruturação de toda a rede estadual.
O desenvolvimento da estrutura física das Salas Lilás acelera a entrada das vítimas na rede de apoio. As equipes médicas realizam o encaminhamento imediato para assistentes sociais, psicólogos e defensores públicos. Na capital, o atendimento central ocorre nas dependências da Casa da Mulher Brasileira.
Proteção integrada e prisões
O avanço físico caminha lado a lado com novas ferramentas tecnológicas de denúncia. As vítimas registram ocorrências por vídeo em 235 Salas DDM espalhadas pelo estado. Esse volume reflete um crescimento de 279% na rede de atendimento desde 2023, amparado por mais de 1,9 mil policiais mobilizados exclusivamente para o acolhimento integral.
A fiscalização ostensiva gerou impacto imediato nos indicadores de segurança. Durante o ano de 2026, mais de 10,9 mil homens foram detidos por violência doméstica, o que marca uma alta de 25,7% nas prisões em relação ao mesmo período de 2025. O judiciário paulista mantém outros 260 agressores sob rigoroso monitoramento por tornozeleira eletrônica.
O eixo de segurança pública alicerça as ações do movimento estadual SP Por Todas. A iniciativa agrupa o aplicativo SP Mulher Segura, as viaturas da Patrulha SP Mulher Segura e o monitoramento contínuo das medidas protetivas. Com o cerco aos agressores e a ampliação das Salas Lilás, o estado tenta erradicar definitivamente a revitimização institucional.