Centro de São Paulo registra menor número de roubos em 25 anos

Seccional registra 10.148 casos de janeiro a setembro, mas especialistas pedem cautela sobre subnotificação e fraude digital.

Centro de São Paulo registra menor número de roubos em 25 anos

Crédito: Divulgação/Governo de Sp

Os registros de roubos na região central de São Paulo caíram 47,1% em três anos, segundo dados da 1ª Delegacia Seccional de Polícia. Entre janeiro e setembro de 2026, foram contabilizadas 10.148 ocorrências, contra 19.202 no mesmo período de 2023. O resultado representa o menor volume para os primeiros nove meses do ano em 25 anos, conforme a série histórica apresentada.

A redução abrange bairros como Sé, Bom Retiro e Consolação e aparece também em outros indicadores criminais. Os casos de latrocínio passaram de quatro para dois, enquanto os homicídios dolosos diminuíram de 49 para 23 ocorrências. Os furtos gerais tiveram recuo de 9,2%.

Homicídios e latrocínios também recuam

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Divulgação/Governo de SP

A queda alcança várias modalidades de crime nos bairros atendidos pela seccional:

  • Latrocínios: de quatro para dois casos, queda de 50%
  • Homicídios dolosos: de 49 para 23, o menor índice para o período desde 2001
  • Furtos em geral: redução de 9,2%

“O centro precisa ser um espaço de convivência, circulação e oportunidades para todos. A queda dos crimes mostra a importância de manter o policiamento direcionado às necessidades de cada área”, afirmou a comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Anselmo Cavalli.

Polícia reforça o patrulhamento contra motos e bicicletas

Duas frentes foram ajustadas para combater o crime de rua. O Batalhão de Resposta Avançada Operacional (BRAvO) passou a concentrar esforços nos roubos cometidos por criminosos em motocicletas.

Já a Operação Speed Bike foca em falsos entregadores de aplicativo, suspeitos de usar bicicletas para abordar pedestres e levar os pertences. Com a atuação conjunta das polícias Civil e Militar, 4.694 pessoas foram presas de janeiro a setembro.

O que os números não mostram

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Divulgação

Os indicadores oficiais melhoraram, mas quem circula pelo centro nem sempre sente a mudança. Esconder o celular, fechar os vidros do carro e evitar caminhar à noite continuam comuns entre moradores e trabalhadores. Especialistas lembram que há uma distância histórica entre as estatísticas e a sensação de segurança.

Um dos fatores é a subnotificação. Vítimas de furtos e roubos rápidos muitas vezes não registram o Boletim de Ocorrência, seja por achar que não vão recuperar o bem, seja por não ter seguro. Parte dos crimes, portanto, nem entra na conta.

O crime pode mudar de endereço?

O chamado “efeito balão” também aparece no debate sobre a redução dos crimes no centro. A hipótese é que o aumento da presença policial em determinadas áreas possa levar criminosos a migrar para bairros periféricos e vias próximas com menor cobertura de segurança.

Essa possibilidade levanta questionamentos sobre a distribuição territorial da criminalidade e a capacidade de desarticular os grupos envolvidos nos roubos. O texto aponta que a redução dos registros em uma região não necessariamente significa o desaparecimento das atividades criminosas, caso elas sejam transferidas para outros locais.

Roubo de celulares pode alimentar fraudes bancárias

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Governo de São Paulo/Divulgação

Pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e do Instituto Sou da Paz apontam que olhar apenas a queda dos boletins pode esconder uma transformação: o crime ficou mais lucrativo por ocorrência. O celular roubado deixou de ser o objetivo final e virou a porta de entrada para a fraude bancária.

Desta maneira, ações como a Speed Bike atingem a base da cadeia, o ciclista que arranca o aparelho. Acima dele, haveria redes de receptação que, segundo os pesquisadores, funcionam em escritórios clandestinos e cortiços da própria região e tentam burlar bloqueios biométricos para esvaziar contas por Pix. Para esses especialistas, reduzir o problema de forma duradoura exige investigação e combate financeiro a essas estruturas, além do patrulhamento.

Os roubos no centro de São Paulo estão no menor nível da série, mas as dúvidas sobre subnotificação, deslocamento do crime e golpes digitais mostram que os números sozinhos não contam a história inteira.

Thiago Antunes

  • Publicado: 31/10/2026 18:47
  • Alterado: 31/10/2026 18:47
  • Autor: Thiago Antunes