Ricardo Salles desiste da candidatura ao Senado em São Paulo

A seis dias das eleições, movimento articulado pelo governador tenta concentrar votos da direita e evitar divisão no estado paulista.

Ricardo Salles desiste da candidatura ao Senado em São Paulo

Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

O deputado federal Ricardo Salles (Novo) abandonou a corrida ao Senado por São Paulo nesta segunda-feira (28). A decisão articulada a seis dias do primeiro turno sela apoio imediato aos candidatos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), nomes bancados pelo governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos). O movimento estratégico costurado no Palácio dos Bandeirantes tenta evitar a dispersão do eleitorado de direita na reta decisiva do pleito.

Tarcísio liderou o anúncio durante entrevista coletiva ao lado dos três políticos. O chefe do Executivo paulista defendeu a consolidação do campo político em torno das candidaturas com maior viabilidade eleitoral para conquistar as vagas no Congresso Nacional. “É o momento de somar, não é o momento de dividir”, declarou o governador aos jornalistas.

A saída do ex-ministro ocorre após a divulgação de múltiplas rodadas de pesquisas eleitorais. Os levantamentos recentes atestaram seu isolamento político em relação ao pelotão de frente. Os números consolidaram um distanciamento severo ante os quatro concorrentes mais bem posicionados na acirrada disputa pelas duas cadeiras.

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Antonio Cruz/Agência Brasil

O cenário estadual apresentou nas últimas semanas um empate técnico quádruplo nas primeiras posições. Os dados forçaram o recuo do candidato do partido Novo, que permanecia estagnado na quinta posição, fora da margem de erro.

  • Paraná Pesquisas (22/09): Simone Tebet liderava com 29,6% das intenções de voto, seguida por Derrite marcando 29,3% da preferência, Marina Silva com 28,3% das menções e André com 25% dos votos. O candidato desistente estava isolado, registrando apenas 10,6% da preferência do eleitorado.
  • Real Time Big Data: O levantamento apontou Derrite com 20% das intenções, André com 18% da preferência, Tebet com 17% das menções e Marina obtendo 14% dos votos. O integrante do Novo conquistou 9% das intenções de voto.
  • Instituto Veritá (12/09): O parlamentar acabou marcando 3,9% dos votos válidos, contra 21% da preferência para Derrite e 20,3% das menções para André.
  • Vox Brasil (25/09): A pesquisa mostrou Derrite com 28,2% da preferência estadual, André com 26,6% das intenções, Marina com 25,9% dos votos e Tebet com 23,1% das menções.

Diante da barreira estatística, o candidato recuou da disputa majoritária. Na coletiva, justificou a retirada do próprio nome como um sacrifício necessário para garantir a vitória do bloco conservador nas urnas. “Questões pessoais, opiniões diferentes, enfim, tudo isso fica menor diante de um objetivo maior”, declarou o parlamentar.

Passado de ataques cede espaço para palanque com Ricardo Salles

O alinhamento tardio com André do Prado representa uma forte reviravolta na dinâmica eleitoral paulista. Durante os meses de campanha oficial, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) serviu de alvo principal para as investidas do ex-ministro durante os debates televisionados.

O confronto ganhou contornos agressivos no encontro promovido por UOL e Folha de S.Paulo. Os políticos protagonizaram um bate-boca acalorado de quase oito minutos na televisão. Na ocasião, o deputado federal questionou as credenciais direitistas do adversário, mencionando antigas alianças do Partido Liberal com prefeituras de esquerda no interior. “Qual credencial de direita você tem?”, disparou o candidato na ocasião.

A hostilidade escalou no debate organizado pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). O ex-candidato acusou o chefe do Legislativo de ser marionete do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. A retórica incisiva mirava desidratar o concorrente direto pela preferência dos eleitores conservadores.

Forçado pelas circunstâncias políticas a integrar a mesma trincheira, o ex-candidato evitou prolongar as antigas rixas partidárias. O político afirmou à imprensa que as diferenças programáticas foram arquivadas em nome da estratégia traçada pelo Palácio dos Bandeirantes para consolidar a hegemonia da direita paulista no parlamento.

Impacto na reta final e articulações presidenciais

Ricardo Salles desiste da candidatura ao Senado em São Paulo
Reprodução

A máquina governista planeja utilizar os dias finais de propaganda gratuita na televisão para popularizar a nova aliança. Tarcísio pediu aos eleitores atenção dobrada na hora de votar, já que o pleito exige a escolha de dois nomes para o Senado. “Onde o primeiro voto for Guilherme Derrite, o segundo tem que ser André do Prado. Onde o primeiro voto for André do Prado, o segundo tem que ser Guilherme Derrite”, instruiu o governador.

A pacificação regional reverbera diretamente na conjuntura política nacional. O deputado assegurou a manutenção temporária do apoio à corrida presidencial do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O cenário nas urnas, no entanto, permanece sujeito a reviravoltas de última hora.

O ex-ministro declarou apoio integral a uma eventual decisão do político mineiro de abandonar a candidatura para fortalecer a chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL). A ideia encontra respaldo no governador paulista, que defende abertamente a união da direita. A renúncia de Ricardo Salles altera definitivamente a matemática eleitoral em São Paulo e testa a real capacidade política do grupo nas urnas deste domingo.

Thiago Antunes

  • Publicado: 28/09/2026 11:32
  • Alterado: 28/09/2026 11:32
  • Autor: Thiago Antunes