Ricardo Nunes desmente retorno de mototáxis em SP

Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirma que retorno dos mototáxis por aplicativo depende de decisões do STF

Ricardo Nunes desmente retorno de mototáxis em SP

Crédito: Reprodução

A capital paulista vive mais um capítulo da intensa disputa sobre a volta do serviço de mototáxis por aplicativo. Em uma declaração recente e enfática, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), descartou a possibilidade de que essa modalidade de transporte retome a operação na cidade no dia 11 de dezembro – data anunciada publicamente por gigantes do setor de tecnologia.

O posicionamento do chefe do executivo municipal reforça a posição da Prefeitura, que tenta impor barreiras ao serviço por questões de segurança e ordenamento urbano, enquanto aguarda definições cruciais no Supremo Tribunal Federal (STF).

STF: O veredito que freia a operação de Mototáxis

A principal condição imposta pelo prefeito Nunes para o retorno dos mototáxis está atrelada à Justiça. Ele ressaltou que a deliberação final sobre o tema depende de dois processos pendentes no Supremo Tribunal Federal (STF), que estão sendo acompanhados de perto pelo corpo jurídico municipal.

A batalha jurídica se intensificou após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) derrubar uma proibição anterior e dar um prazo para que a Prefeitura regulamentasse a atividade dos mototáxis. As empresas de transporte, como Uber e 99, utilizaram essa falta de regulamentação formal como argumento para anunciar o retorno unilateral do serviço na data estipulada.

O prefeito, no entanto, alertou que se as decisões judiciais forem desfavoráveis à sua gestão, as empresas terão que cumprir rigorosamente uma série de exigências estipuladas pela regulamentação municipal, que está sendo elaborada.

A Crítica Dura: ‘Famintas por Dinheiro’

Em uma crítica direta à postura das plataformas de transporte, Ricardo Nunes não poupou palavras, descrevendo empresas como Uber e 99 como “famintas por dinheiro”. A declaração evidencia o embate entre o poder público, que prioriza a segurança e o controle urbano, e as plataformas, focadas na expansão do mercado.

A preocupação central do município é a segurança viária. A frota de motocicletas em São Paulo aumentou 56% na última década, e a liberação desregulamentada dos mototáxis poderia, segundo a Prefeitura, levar a um aumento alarmante no número de acidentes e, consequentemente, a um colapso no sistema público de saúde. A gestão municipal tem insistido que a falta de um cadastro de condutores, a ausência de equipamentos de segurança obrigatórios e a ausência de regras sobre jornada mínima e padrões de veículos representam um risco real e inaceitável.

Município tem o direito de regular o Serviço

A Prefeitura contrapõe o argumento das plataformas sobre a suposta falta de regulamentação, afirmando estar respaldada pela legislação federal. De acordo com essa legislação, a responsabilidade pela regulamentação dos serviços de transporte remunerado privado individual de passageiros é uma competência constitucionalmente atribuída aos municípios, cabendo a eles observar o interesse local e as peculiaridades de cada cidade.

Enquanto a Câmara Municipal de São Paulo debate projetos de lei para regulamentar a atividade, impondo restrições rígidas, como a proibição de circulação no centro expandido e em dias de chuva forte, o prefeito Ricardo Nunes mantém a pressão. Ele garante que, mesmo que a regulamentação seja imposta pela Justiça, ela será extremamente rigorosa, com exigências de cursos obrigatórios para condutores de mototáxis e padrões de segurança veicular de alta exigência.

A novela dos mototáxis segue em aberto, com o desfecho dependendo mais da balança da Justiça e da caneta do legislativo municipal do que da vontade das empresas de aplicativo.

  • Publicado: 03/12/2025 22:02
  • Alterado: 03/12/2025 22:02
  • Autor: Redação
  • Fonte: Prefeito Ricardo Nunes