Reforma Tributária elevará impostos para 56% das empresas

Reforma Tributária: pesquisa com quase duas mil empresas mostra que indústria, varejo e serviços lideram a projeção de alta na carga de impostos

Reforma Tributária elevará impostos para 56% das empresas

Crédito: divulgação

Um levantamento realizado com quase 2 mil companhias brasileiras projeta que 56,6% das empresas do país enfrentarão um aumento da carga tributária com a aprovação e implementação da Reforma Tributária. Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (16), durante a quarta edição do Tax Experience 2026, evento que reuniu cerca de 750 empresários, diretores financeiros e executivos no complexo Rosewood São Paulo para debater as transformações fiscais e econômicas.

O estudo foi conduzido pelo Data Tax, núcleo de inteligência de dados do Tax Group, que analisou 1.980 empresas com relatórios de transição tributária já concluídos. A amostra abrange organizações de 19 estados, três regimes tributários e sete segmentos, somando R$ 47,4 bilhões em faturamento anual.

A projeção aponta a indústria como o setor mais pressionado pelas mudanças da Reforma Tributária: 62,7% das companhias industriais analisadas registraram previsão de alta nos impostos devido à falta de adequação prévia ao novo modelo. Na sequência dos setores com maior expectativa de elevação de custos aparecem o comércio varejista (56,6%), serviços (55,6%), transporte e logística (54,5%) e comércio atacadista (50%).

Reforma Tributária
divulgação

Apesar de o número de empresas prejudicadas superar a parcela que terá redução tributária (43,4%), o impacto financeiro global da amostra demonstrou um equilíbrio relativo. As organizações com alta de carga absorverão um custo adicional projetado de R$ 329,4 milhões ao ano, enquanto o bloco com redução concentrará uma economia de R$ 317,6 milhões anuais.

Eficiência Operacional e Juros

Para Luis Wulff, CEO do Tax Group, o cenário exige que a adaptação fiscal ocorra em paralelo a um choque de eficiência operacional. O executivo alertou durante os debates que o encarecimento do crédito e a taxa de juros elevada limitam a margem de erro das companhias. Segundo Wulff, as empresas que não conseguirem sustentar suas margens de lucro e repassar custos de forma estratégica terão a competitividade comprometida no período de transição, que passa a vigorar a partir de 2027.

Geopolítica, Eleições e Mercado

 Reforma Tributária
divulgação

Além do panorama estritamente tributário, os mais de 25 painelistas exploraram os reflexos macroeconômicos globais. O cientista político Heni Ozi Cukier (HOC) detalhou como o avanço de políticas de protecionismo industrial, o enfraquecimento da coordenação multilateral e as tensões comerciais entre Estados Unidos e China exigem uma rápida adaptação das cadeias produtivas brasileiras.

No campo financeiro, a especialista Renata Barreto, da Faz Capital, abordou táticas de diversificação de portfólio para proteger o caixa corporativo em cenários de alta volatilidade e períodos eleitorais. A programação contou com a participação de lideranças de grandes corporações, como Google, SAP, Michelin, Simpar, Decolar, Cimed e Yara, ampliando o debate para a integração entre inteligência artificial, regras de ESG (governança ambiental, social e corporativa) e eficiência de caixa.

Daniela Ferreira

  • Publicado: 17/09/2026 13:34
  • Alterado: 17/09/2026 13:34
  • Autor: Daniela Ferreira