A Reforma Tributária já começou e adiar a adaptação pode custar caro

Transição exige planejamento tributário, revisão de processos e decisões estratégicas para manter a competitividade das empresas

(Imagem: Freepik)

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Pode não parecer, mas a Reforma Tributária já começou. Estamos em um período de transição legislativa, cuja conclusão está prevista apenas para 2033. Embora ainda faltem sete anos para que o novo modelo tributário esteja plenamente em funcionamento, 2026 já é o ano dos testes e das adaptações. Empresas dos mais variados setores e portes estão revendo processos internos, contratos, planejamentos, escolhas fiscais e sistemas para atender às novas exigências e evitar prejuízos financeiros.

Antes de mais nada, quais mudanças a Reforma Tributária traz? 

O IVA (Imposto sobre Valor Agregado) será o novo modelo tributário brasileiro. É importante esclarecer que IVA não é o nome de um imposto, mas da forma como a tributação será aplicada. Esse modelo substituirá cinco tributos (ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins) por dois: IBS e CBS.

A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) corresponde à parcela arrecadada pelo Governo Federal e reúne o que hoje conhecemos como PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). Em alguns casos, também substituirá o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Já o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) substituirá o ICMS e o ISS, com abrangência estadual e municipal.

A lógica do novo modelo é reduzir a incidência de imposto sobre imposto. Cada etapa da cadeia produtiva passa a recolher tributos apenas sobre o valor que efetivamente agregou ao produto ou ao serviço.

Antes, o imposto era calculado sobre o valor final da operação. Agora, ele incide sobre o valor agregado pela sua empresa. Imagine, por exemplo, que você compre uma matéria-prima por R$ 10 e venda o produto por R$ 30. Nesse caso, entende-se que sua empresa agregou R$ 20 de valor.

Na prática, funciona assim: ao comprar a matéria-prima, o fornecedor cobra imposto sobre os R$ 10, gerando um crédito tributário. Depois, ao vender o produto por R$ 30, sua empresa gera um débito sobre esse valor. No momento do recolhimento, aplica-se uma lógica simples: imposto a pagar = débito – crédito.

Em outras palavras, o imposto incide apenas sobre o valor efetivamente agregado pela empresa, graças à compensação entre os créditos da compra e os débitos da venda. As regras que estruturam esse novo modelo estão previstas na Emenda Constitucional 132/2023, nas Leis Complementares 214/2025 e 227/2026 e nas Portarias 501/2024 e 549/2025.

O que muda para quem empreende?

Reforma Tributária
(Pedro França/Agência Senado)

Se Charles Darwin utilizou o conceito de seleção natural para explicar a evolução das espécies, no mundo dos negócios a lógica não é muito diferente. Não serão os empresários mais fortes nem os mais inteligentes que sairão na frente com a Reforma Tributária, mas aqueles que conseguirem se adaptar mais rapidamente às mudanças.

A transformação é inevitável. A vantagem competitiva estará com quem souber ajustar processos, rever estratégias e preservar a competitividade do negócio diante do novo cenário tributário.

2033 pode parecer distante para muitos empresários, o que leva alguns a acreditar que ainda não é hora de se preocupar. Mas essa percepção pode custar caro. Os testes já começaram e algumas decisões precisam ser tomadas ainda em 2026. Será necessário revisar processos, simular os impactos das novas alíquotas e avaliar qual regime tributário continuará sendo o mais vantajoso para a empresa. A nova forma de arrecadação produzirá efeitos financeiros relevantes, tornando indispensável a combinação entre planejamento, acompanhamento e revisão constante.

Um exemplo é o Simples Nacional, regime adotado por grande parte das pequenas empresas brasileiras. Tradicionalmente, a opção pelo regime era realizada em janeiro do ano de exercício.

Agora, os empresários precisam decidir até o final de setembro deste ano se permanecerão no Simples Nacional em 2027. Além disso, deverão optar entre recolher o IBS e a CBS dentro da guia única do Simples Nacional — o que reduz a burocracia, mas limita a transferência de créditos tributários — ou realizar a apuração desses tributos separadamente.

Essa é apenas uma das dezenas de decisões estratégicas que os empresários já começam a enfrentar durante a implementação da Reforma Tributária. Nesse processo, a contabilidade deixa de cumprir apenas uma função operacional e passa a exercer um papel decisivo na tomada de decisões.

Agir agora é uma vantagem competitiva

O planejamento tributário é uma ferramenta contábil que busca identificar as formas mais vantajosas, dentro da legislação, de recolher impostos, além de antecipar os ajustes operacionais que precisarão ser incorporados à rotina da empresa. É por meio desse planejamento que o empresário ganha clareza para revisar preços, renegociar contratos e reavaliar acordos firmados com clientes, fornecedores e prestadores de serviço.

A Reforma Tributária representa uma das maiores transformações do sistema fiscal brasileiro nas últimas décadas. Mas ela não altera apenas a legislação. Ela exige uma mudança estrutural na forma como as empresas planejam, operam e tomam decisões.

Esperar até o último momento para agir pode, literalmente, custar caro. Empresas que começarem a desenhar e implementar suas estratégias desde já terão muito mais segurança, previsibilidade e embasamento para enfrentar esse período de transição. Assim como na teoria de Darwin, quem melhor compreender e se adaptar às mudanças estará mais preparado não apenas para permanecer competitivo, mas também para crescer em um novo ambiente de negócios.

João Rocha

João Rocha - Contabilidade - Além dos Números
(Divulgação)

João Rocha é contador formado pela Universidade Metodista de São Paulo e especialista em Contabilidade Tributária pela Universidade São Judas Tadeu. Com mais de 21 anos de experiência no mercado, há mais de 17 anos é fundador da Strong Contábil Digital, empresa que alia tecnologia à contabilidade consultiva para facilitar a rotina dos empresários, simplificar processos burocráticos e apoiar a tomada de decisões com base em dados contábeis. Durante a pandemia, também fundou a Strong Contábil Doctor, braço da empresa especializado no atendimento a profissionais da saúde.

Acompanhe mais conteúdos sobre contabilidade, tributação, gestão e negócios no Instagram @strongcontabil_.

  • Publicado: 22/07/2026 17:42
  • Alterado: 22/07/2026 17:46
  • Autor: João Rocha
  • Fonte: ABCdoABC

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