Recarga rápida no Brasil quase triplica em 12 meses

O país alcança quase 30 mil pontos de carregamento para carros elétricos. Nova rede é liderada por equipamentos de alta potência.

Recarga rápida no Brasil quase triplica em 12 meses

Crédito: Divulgação/ABVE

A oferta de recarga rápida para veículos elétricos no Brasil cresceu quase 200% nos últimos 12 meses. O país conta agora com 29.866 pontos públicos e semipúblicos de energia, segundo levantamento atualizado em agosto de 2026 pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e pela plataforma Tupi.

O avanço da recarga rápida consolida uma mudança no perfil da infraestrutura de mobilidade nacional. O modelo de carregamento contínuo (DC) passou a liderar o ritmo de expansão do setor elétrico.

O mapeamento trimestral evidencia a aceleração do mercado com os seguintes indicadores:

  • O aumento de 76,9% no total de pontos na comparação direta com agosto de 2025.
  • A frota ativa de 639.133 veículos plug-in, gerando uma relação de 21,4 carros para cada conector.
  • O acréscimo líquido de 2.792 carregadores DC entre junho e setembro, o equivalente a 63% das novas instalações.

Expansão da recarga rápida muda perfil do mercado

Os equipamentos de recarga rápida já respondem por 38,2% de toda a rede brasileira. Esse formato mais que dobrou sua participação territorial nos últimos 18 meses, saltando de um patamar de 16,4% no início de 2025 para a fatia atual.

A redução contínua no custo dos equipamentos e a evolução das baterias guiam esse movimento. A demanda por viagens intermunicipais de longa distância obriga os operadores a buscar soluções que minimizem o tempo de parada nas estradas.

“O gargalo agora é anterior ao carregador. Está no prazo e nas condições de conexão de uma nova carga à rede”, afirmou Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE.

O executivo relata uma transição no comportamento do consumidor. A dúvida dos motoristas deixou de ser sobre a existência geral da infraestrutura e virou sobre a disponibilidade exata de conectores nas rotas planejadas.

Regulamentação e impacto da energia lenta

Os carregadores de corrente alternada (AC) mantêm sua função primordial no uso cotidiano. A base lenta registrou crescimento de 41,8% no período de um ano, atingindo a marca de 18.469 terminais instalados em condomínios e estacionamentos comerciais.

Leis estaduais recentes ajudam a destravar projetos imobiliários. A legislação paulista sancionada no começo do ano garante o direito à instalação de equipamentos em vagas privativas e impede proibições arbitrárias de condomínios.

As atenções das empresas do setor convergem para o futuro da regulamentação. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) conduz uma consulta pública para modernizar as regras de ligação de novas cargas de alta tensão.

Distribuição regional e liderança do Norte

O mapa nacional revela 1.911 municípios brasileiros com infraestrutura de recarga ativa. São Paulo abriga a maior rede estadual com 7.864 pontos, registrando também o volume absoluto mais expressivo de ativações no último trimestre.

A densidade tecnológica diverge de acordo com a região. O Norte tem 58,1% da sua estrutura focada em conectores DC, o maior índice de proporcionalidade de recarga rápida entre os estados do país, enquanto o Nordeste anotou o maior ritmo de crescimento geral.

Para sustentar a eletrificação das frotas e garantir o escoamento logístico limpo, os operadores dependem de agilidade governamental. O sucesso do veículo elétrico fora das capitais passará obrigatoriamente pela massificação da recarga rápida.

Thiago Antunes

  • Publicado: 29/09/2026 08:34
  • Alterado: 29/09/2026 08:34
  • Autor: Thiago Antunes