Preços dos imóveis sobem 0,61% em julho, aponta Abecip

O indicador habitacional nacional ganha velocidade no mês, mas consolida perda de fôlego no acumulado de 12 meses.

Preços dos imóveis sobem 0,61% em julho, aponta Abecip

Crédito: Governo de São Paulo/Divulgação

Os preços dos imóveis residenciais voltaram a acelerar no mercado brasileiro durante o mês de julho. O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), apurado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), registrou alta mensal de 0,61%, superando o leve avanço de 0,38% anotado em junho.

A dinâmica muda ao observar a janela anual. A taxa acumulada em 12 meses recuou de 17,49% para 15,78%. O recuo marca o quarto mês consecutivo de retração, distanciando o mercado do pico de 19,76% atingido em março. Entre janeiro e julho, o indicador consolidou valorização de 5,64%, desempenho inferior aos 8,25% contabilizados no mesmo período de 2025.

Desempenho regional dos preços dos imóveis residenciais

As metrópoles apresentam comportamentos distintos e ditam a média nacional. Porto Alegre registrou a maior alta mensal do país com 2,28%, seguida por Goiânia e Recife. Na ponta oposta, Salvador foi a única capital a apresentar queda de 0,16% no mesmo intervalo de trinta dias. Todas as dez capitais pesquisadas mantêm encarecimento no saldo de 2026.

Os preços dos imóveis residenciais mantêm taxas agressivas no longo prazo, lideradas pelas praças das regiões Nordeste e Sul. Recife acumula a maior disparada do Brasil com 27,12% em 12 meses. O topo da lista também inclui Curitiba com avanço de 26,15% e a capital baiana, que sustenta encarecimento de 20,80% na janela anual. Brasília e a capital gaúcha acompanham o bloco com altas próximas a 19%.

Contraste no Sudeste e movimentação no Centro-Oeste

O eixo sudestino opera com ritmo inferior à média habitacional no ano. São Paulo desacelerou para 0,25% em julho, enquanto Rio de Janeiro e Belo Horizonte avançaram 0,90% e 0,70%, respectivamente. No Centro-Oeste, o destaque fica com a capital goiana, que acelerou os ganhos e já soma valorização de 7,44% em 2026. O mercado de Fortaleza saiu do campo negativo, mas segue com a menor expansão do ano (2,13%).

Expansão supera inflação e custos da construção civil

O encarecimento das casas e apartamentos esmaga os principais termômetros econômicos do país. O salto de 15,78% no ano atropela o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), fixado em 6,40%. O repasse atual dos preços dos imóveis residenciais também ignora os reajustes médios dos aluguéis, medidos pelo IVAR em 5,08%.

A diferença de 11,34 pontos percentuais para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) revela o peso da oferta restrita e da demanda ativa. Descontada a inflação geral, o mercado habitacional entregou ganho real de aproximadamente 10,9% em 12 meses.

O movimento confirma uma desconexão entre o valor de venda nas capitais e o custo básico de erguer um prédio. Elementos próprios de cada praça, como disponibilidade de terrenos e perfil do comprador local, formam uma barreira que impede a estabilização imediata dos preços dos imóveis residenciais.

Thiago Antunes

  • Publicado: 31/08/2026 16:25
  • Alterado: 31/08/2026 16:25
  • Autor: Thiago Antunes