Preço do petróleo despenca após EUA liberarem exportação do Irã

O preço do petróleo recuou mais de 3% no mercado internacional após os EUA suspenderem sanções contra a exportação da commodity pelo Irã

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O preço do petróleo registrou forte queda no mercado internacional nesta segunda-feira (22). O recuo ocorreu logo após os Estados Unidos anunciarem a liberação temporária para a produção, fornecimento e venda do combustível pelo Irã. A medida faz parte dos termos previstos no acordo de paz assinado entre as duas nações na última semana.

Na mínima do dia, o barril Brent, que atua como referência global para o mercado de energia, caiu 3,88%, cotado a US$ 76,94. O movimento reverteu a tendência de alta observada na abertura da sessão, quando a commodity chegou a tocar o patamar de US$ 81,38. O contrato do petróleo para agosto encerrou o dia com recuo de 2,80%, fixado em US$ 77,81.

Impacto no mercado e posicionamento dos EUA

A volatilidade no valor do petróleo reflete a expectativa de um aumento na oferta global do produto. Enquanto o Brent operava em baixa, o petróleo WTI (West Texas Intermediate), balizador do mercado norte-americano, fechou com leve valorização de 0,36%, cotado a US$ 74,36.

A autorização concedida por Washington integra as frentes de negociação que buscam um tratado de paz definitivo na região. De acordo com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a licença especial que autoriza o comércio terá validade inicial até o dia 21 de agosto.

“Em consonância com as negociações produtivas em andamento na Suíça, o Irã se comprometeu a garantir o trânsito livre e aberto no estreito de Hormuz e a permitir a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em seu território”, declarou Bessent.

Detalhes do memorando de entendimento

Com base no documento firmado entre Washington e Teerã, os EUA aceitaram conceder isenções para a exportação do petróleo bruto iraniano, além de seus produtos petroquímicos e derivados. O texto engloba a liberação de serviços associados essenciais para a cadeia logística, como transações bancárias, seguros e transporte internacional.

A nova diretriz possibilita inclusive a importação do petróleo de origem iraniana por empresas norte-americanas, desde que a operação seja comprovadamente necessária para concluir os contratos de venda ou entrega em andamento. O mecanismo de isenção, contudo, veta de forma explícita qualquer transação comercial que envolva a Coreia do Norte ou Cuba.

Geopolítica e tensões no Oriente Médio

Em paralelo às discussões sobre o fornecimento de petróleo, as delegações costuraram um avanço diplomático com o governo do Líbano. O plano prevê a criação de uma “célula de desconflito” com o objetivo de frear as operações militares de Israel em território libanês.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, destacou a relevância dos mediadores internacionais no processo conduzido em território suíço:

“A incansável mediação paquistanesa e qatariana produziu grandes avanços para encerrar a Guerra do Líbano”, afirmou Araghchi.

Apesar do recuo nos preços do petróleo provocado pelo anúncio diplomático, o cenário na região ainda demanda cautela dos investidores. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou posicionamento contrário aos termos do tratado e sinalizou que a intenção do governo israelense é dar continuidade aos bombardeios na área de conflito.

  • Publicado: 22/06/2026 22:48
  • Alterado: 22/06/2026 22:48
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: FolhaPress