Preço do petróleo fecha em alta em meio à tensões no Oriente Médio

Conflito no Oriente Médio eleva a volatilidade e faz a cotação do petróleo registrar maior ganho semanal em dois meses após ataques

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O mercado global de petróleo registrou a maior alta semanal em dois meses na semana encerrada nesta sexta-feira (10). O movimento foi impulsionado por uma nova escalada nas tensões militares envolvendo o Irã e os Estados Unidos. O avanço reverteu quatro semanas consecutivas de perdas geradas pelo breve cessar-fogo firmado anteriormente entre as duas nações.

Desempenho dos indicadores Brent e WTI

O barril Brent, referência internacional do mercado de petróleo, acumulou uma valorização de 5,39% no balanço semanal, registrando o maior ganho desde o período finalizado em 10 de maio. Apesar do salto semanal, a sessão de sexta-feira fechou com um leve recuo diário de 0,38%, com a commodity cotada a US$ 76,01.

Nos Estados Unidos, o indicador West Texas Intermediate (WTI) seguiu trajetória semelhante. O índice registrou queda diária de 0,93% na sexta-feira, negociado a US$ 71,41, mas encerrou a semana com saldo positivo de 3,93%. Essa volatilidade evidencia como o preço do petróleo permanece altamente sensível aos desdobramentos geopolíticos.

Tensões militares no Estreito de Hormuz

O estopim para a valorização ocorreu após as forças armadas iranianas lançarem ataques contra infraestruturas militares norte-americanas no Golfo Pérsico. A ação foi uma retaliação a bombardeios prévios dos EUA no litoral sul e leste do Irã. Explosões também foram relatadas na região de Bushehr, área estratégica que abriga uma usina nuclear.

A moderação dos preços na última sessão refletiu o otimismo cauteloso com a promessa de retomada das negociações bilaterais na próxima semana. Operadores aguardam a reabertura completa do Estreito de Hormuz. De acordo com Giovanni Staunovo, analista do banco UBS, o recuo temporário nos fluxos navais limita quedas mais acentuadas do petróleo.

“Este mercado está pronto, disposto e apto a reagir positivamente a boas notícias ou, pelo menos, à ausência de más notícias. E parece que a escalada não vai piorar”, destacou John Kilduff, sócio da Again Capital, ao avaliar o cenário de curto prazo.

Projeções de oferta e equilíbrio de mercado

A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou nesta sexta-feira que o agravamento do conflito coloca em risco a expectativa de estabilização do setor. A entidade destacou que um acordo de paz duradouro é considerado “indispensável” para que as transações de petróleo retornem à normalidade global.

Caso a situação seja pacificada, a agência projeta que em 2027 a oferta superará a demanda em 4,62 milhões de barris por dia. Essa estimativa, contudo, depende diretamente da capacidade dos países produtores de retomarem as atividades de extração nos campos e os embarques regulares do petróleo estocado.

  • Publicado: 10/07/2026 21:28
  • Alterado: 10/07/2026 21:28
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: FolhaPress