Poluição no Rio Tietê cai 29,4% em dois anos, diz Cetesb

O volume de dejetos despejados nas águas caiu de 218 para 154 toneladas diárias entre 2024 e 2026, aponta levantamento inédito da Cetesb.

Poluição no Rio Tietê cai 29,4% em dois anos, diz Cetesb

Crédito: Divulgação

O Rio Tietê registrou uma redução de 29,4% na carga de poluição diária nos últimos dois anos. O volume de matéria orgânica transportada pelas águas caiu de 218 toneladas por dia em 2024 para 154 toneladas em 2026. Os dados constam em estudo divulgado nesta quinta-feira (17) pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

A queda representa 64 toneladas de dejetos a menos todos os dias. O recuo é reflexo da ampliação da infraestrutura de coleta e tratamento de esgoto, aliada às frentes de desassoreamento promovidas na região metropolitana e interior. O indicador deste ano superou a própria meta governamental, ficando 19,8% abaixo do limite de 192 toneladas diárias.

O Governo de São Paulo assumiu a recuperação do Tietê como prioridade e estruturou o maior programa já realizado para enfrentar esse desafio”, afirmou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.

Monitoramento no Rio Tietê revela melhora no interior

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Divulgação/Governo de SP

As medições da qualidade da água no Rio Tietê ocorrem prioritariamente na barragem da Pequena Central Hidrelétrica Edgard de Souza, em Santana de Parnaíba. O ponto afere o impacto exato da carga orgânica logo após a mancha urbana da capital seguir rumo ao interior paulista.

Em um trecho de 300 quilômetros no Médio Tietê, até a região de Botucatu, a concentração média de carbono orgânico total sofreu queda de 15% entre 2024 e 2026. Cidades como Botucatu e a própria Tietê registraram as maiores retrações de matéria orgânica nesse segmento.

Expansão do saneamento e obras fluviais

A desestatização da Sabesp acelerou as conexões de rede, retirando gradativamente o esgoto doméstico que antes chegava in natura ao Rio Tietê. O programa estadual conectou 4,5 milhões de pessoas à rede de esgoto, impedindo que mais de 10 bilhões de litros de resíduos alcançassem as águas todo mês.

Intervenções físicas também interferiram diretamente na oxigenação do fluxo hídrico. O governo removeu mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos do leito desde 2023, operação que demandou investimentos superiores a R$ 1,4 bilhão por meio da agência SP Águas.

Qualidade dos afluentes avança

Os rios menores que alimentam a bacia também apresentaram balanço favorável. A Cetesb ampliou o monitoramento para 30 afluentes na Grande São Paulo, atestando uma redução acumulada de 23% na concentração de poluentes no mesmo intervalo de dois anos.

Essa rede nos permite medir a evolução da qualidade da água, identificar onde os investimentos já trazem resultados e direcionar as ações para os locais que ainda precisam avançar”, explicou o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo.

O Índice de Qualidade da Água (IQA) acompanhou os números positivos, alterando o status de trechos críticos, como a Ponte dos Remédios, de “péssima” para “ruim“. A evolução demonstra que o Rio Tietê reage às adequações de infraestrutura sanitária contínuas na maior metrópole do país.

Thiago Antunes

  • Publicado: 17/09/2026 10:53
  • Alterado: 17/09/2026 10:53
  • Autor: Thiago Antunes