Poluição no Rio Tietê cai 29,4% em dois anos, diz Cetesb
O volume de dejetos despejados nas águas caiu de 218 para 154 toneladas diárias entre 2024 e 2026, aponta levantamento inédito da Cetesb.
- Publicado: 17/09/2026 10:53
- Alterado: 17/09/2026 10:53
- Autor: Thiago Antunes
O Rio Tietê registrou uma redução de 29,4% na carga de poluição diária nos últimos dois anos. O volume de matéria orgânica transportada pelas águas caiu de 218 toneladas por dia em 2024 para 154 toneladas em 2026. Os dados constam em estudo divulgado nesta quinta-feira (17) pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
A queda representa 64 toneladas de dejetos a menos todos os dias. O recuo é reflexo da ampliação da infraestrutura de coleta e tratamento de esgoto, aliada às frentes de desassoreamento promovidas na região metropolitana e interior. O indicador deste ano superou a própria meta governamental, ficando 19,8% abaixo do limite de 192 toneladas diárias.
“O Governo de São Paulo assumiu a recuperação do Tietê como prioridade e estruturou o maior programa já realizado para enfrentar esse desafio”, afirmou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
Monitoramento no Rio Tietê revela melhora no interior

As medições da qualidade da água no Rio Tietê ocorrem prioritariamente na barragem da Pequena Central Hidrelétrica Edgard de Souza, em Santana de Parnaíba. O ponto afere o impacto exato da carga orgânica logo após a mancha urbana da capital seguir rumo ao interior paulista.
Em um trecho de 300 quilômetros no Médio Tietê, até a região de Botucatu, a concentração média de carbono orgânico total sofreu queda de 15% entre 2024 e 2026. Cidades como Botucatu e a própria Tietê registraram as maiores retrações de matéria orgânica nesse segmento.
Expansão do saneamento e obras fluviais
A desestatização da Sabesp acelerou as conexões de rede, retirando gradativamente o esgoto doméstico que antes chegava in natura ao Rio Tietê. O programa estadual conectou 4,5 milhões de pessoas à rede de esgoto, impedindo que mais de 10 bilhões de litros de resíduos alcançassem as águas todo mês.
Intervenções físicas também interferiram diretamente na oxigenação do fluxo hídrico. O governo removeu mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos do leito desde 2023, operação que demandou investimentos superiores a R$ 1,4 bilhão por meio da agência SP Águas.
Qualidade dos afluentes avança
Os rios menores que alimentam a bacia também apresentaram balanço favorável. A Cetesb ampliou o monitoramento para 30 afluentes na Grande São Paulo, atestando uma redução acumulada de 23% na concentração de poluentes no mesmo intervalo de dois anos.
“Essa rede nos permite medir a evolução da qualidade da água, identificar onde os investimentos já trazem resultados e direcionar as ações para os locais que ainda precisam avançar”, explicou o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo.
O Índice de Qualidade da Água (IQA) acompanhou os números positivos, alterando o status de trechos críticos, como a Ponte dos Remédios, de “péssima” para “ruim“. A evolução demonstra que o Rio Tietê reage às adequações de infraestrutura sanitária contínuas na maior metrópole do país.