Polícia prende três suspeitos de falsificar remédios oncológicos
Ação prendeu três suspeitos e cumpriu 18 mandados em São Paulo; grupo vendia imunoterápicos sem princípio ativo para hospitais do estado.
- Publicado: 05/11/2026 12:34
- Alterado: 05/11/2026 12:34
- Autor: Thiago Antunes
A Polícia Civil prendeu preventivamente três pessoas nesta quinta-feira (5) durante a segunda fase da Operação Laziosi. A quadrilha é investigada por falsificar e vender medicamentos para tratamento de câncer. A ofensiva cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em seis cidades de São Paulo.
Agentes do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) localizaram unidades suspeitas na capital paulista. O Ministério Público acompanhou as diligências, que também resultaram no bloqueio de até R$ 15 milhões em bens dos envolvidos. A Justiça determinou ainda a suspensão das atividades de sete empresas.
Operação da Polícia Civil mira distribuidora
As investigações coordenadas pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Ribeirão Preto começaram em 2024. O fabricante de um imunoterápico de alto custo identificou produtos adulterados em um hospital de São Paulo. A mercadoria chegou ao local por meio de uma distribuidora de Araraquara.
Laudos oficiais confirmaram que o produto vendido não continha o princípio ativo exigido para a terapia oncológica. A Polícia Civil descobriu uma rede de empresas de fachada ligadas à distribuidora logo na primeira fase da apuração.
“O objetivo desta fase é interromper a atividade criminosa, que coloca em risco pacientes em tratamento contra o câncer, e assegurar a recuperação de bens e valores”, afirmou Diogenes Santiago Netto, delegado assistente da Deic.
Remédio falso administrado em paciente
As fraudes continuaram mesmo após a ofensiva inicial das autoridades. A mesma empresa forneceu nove unidades adulteradas a um hospital do interior paulista em abril de 2025.
Uma das doses falsas chegou a ser aplicada em um paciente oncológico. A distribuidora recolheu o restante do material e substituiu por um lote originário de uma carga roubada em Minas Gerais.
Equipes do Grupo Armado de Repressão a Roubos (Garra) apoiaram a Polícia Civil nas buscas pela capital. Os investigadores enviaram os novos lotes apreendidos para perícia técnica.
“A falsificação de medicamentos oncológicos é uma prática extremamente grave, que coloca em risco direto a vida de pessoas que já enfrentam uma situação de grande vulnerabilidade”, destacou Tom Blumer, delegado do Garra.
Os agentes analisam agora documentos e equipamentos eletrônicos recolhidos nos endereços alvos da ação. O próximo passo da Polícia Civil envolve o rastreamento do dinheiro movimentado para identificar outros integrantes do esquema.