Planejamento prepara empresas para o fim da escala 6x1

Empresas devem planejar mudanças na jornada de trabalho e revisar escalas, contratos e custos para se adaptar ao fim da escala 6x1 a partir de dezembro de 2026

Planejamento prepara empresas para o fim da escala 6x1

Crédito: Divulgação

As empresas brasileiras precisam começar a planejar a adaptação ao fim da escala 6×1 e à redução da jornada semanal de trabalho. Segundo o calendário apresentado no material, a transição começa em 15 de dezembro de 2026, com dois dias de descanso semanal e limite máximo de 42 horas de trabalho. Após mais 12 meses, a jornada máxima será reduzida para 40 horas semanais.

Para Glauce Fonçatti, advogada especialista em direito do trabalho e sócia do escritório Batistute Advogados, o primeiro passo é entender como as mudanças afetarão a rotina de cada negócio.

“A primeira providência deve ser um diagnóstico da situação atual da empresa. É necessário mapear quantos funcionários trabalham em escala 6×1, quais setores dependem de cobertura contínua, como os horários estão distribuídos e quais atividades exigem a presença de profissionais em dias de maior movimento”, explica.

Empresas devem revisar escalas e equipes

Após o diagnóstico, a recomendação é simular diferentes modelos de jornada e avaliar o dimensionamento das equipes. Dependendo da operação, a adaptação poderá exigir mudanças na distribuição das horas, novas contratações, remanejamento de funcionários ou alterações nos horários de funcionamento.

“Em alguns casos, a redistribuição das horas entre os dias de trabalho poderá ser suficiente para adequar a jornada. Em outros, especialmente nas operações que precisam manter o atendimento durante toda a semana, será necessário avaliar contratações, remanejamento de funcionários, mudanças nos horários de funcionamento ou investimentos em tecnologia e automação”, afirma Glauce.

Fim da escala 6x1
Imagem gerada com auxilio de IA

A especialista destaca que as decisões precisam considerar as necessidades operacionais e os custos envolvidos, especialmente em atividades que exigem atendimento contínuo ao longo da semana.

Revisão jurídica exige atenção

A adequação também envolve a análise de contratos de trabalho, controles de ponto, bancos de horas, regras de compensação e convenções ou acordos coletivos.

“Contratos de trabalho, controles de ponto, regras de compensação de jornada, bancos de horas e convenções ou acordos coletivos devem ser analisados para verificar a compatibilidade com os novos limites”, orienta a advogada.

Glauce recomenda que recursos humanos, departamento jurídico, contabilidade e lideranças operacionais participem do planejamento. A consulta aos sindicatos também pode ser necessária quando houver questões relacionadas à negociação coletiva.

Adaptação antecipada pode evitar problemas

Deixar as mudanças para perto do prazo pode provocar falhas nas escalas, sobrecarga dos trabalhadores, aumento das horas extras e conflitos nas equipes. Por isso, a orientação é comunicar as alterações com antecedência e preparar os gestores para a nova organização do trabalho.

A advogada também recomenda acompanhar indicadores como produtividade, absenteísmo, custo por hora trabalhada e qualidade do atendimento. Esses dados podem ajudar a identificar problemas e orientar ajustes durante a transição para o fim da escala 6×1

Pequenas e médias empresas merecem atenção especial, segundo Glauce, porque geralmente têm menos margem financeira para absorver mudanças inesperadas.

“A empresa não precisa esperar a proximidade do prazo para começar a agir. É possível fazer as contas, testar escalas, identificar gargalos e avaliar alternativas desde agora. Planejar é muito mais seguro do que tentar resolver, em cima da hora, um problema que envolve simultaneamente legislação, pessoas, custos e continuidade do negócio”, afirma.

A preparação antecipada permite que as empresas avaliem alternativas com mais tempo e organizem a transição considerando tanto as exigências legais quanto a continuidade das atividades.

Carlos Enriki

  • Publicado: 26/10/2026 09:46
  • Alterado: 26/10/2026 09:47
  • Autor: Carlos Enriki