Pisa 2025: quais mudanças fizeram SP melhorar na avaliação

Estudantes de São Paulo atingem índices próximos aos de Chile e Uruguai após reestruturação curricular e aulas de robótica.

Pisa 2025: quais mudanças fizeram SP melhorar na avaliação

Crédito: Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

O resultado do Pisa 2025 coloca os estudantes da rede estadual de São Paulo em patamar semelhante ao de países como Chile e Uruguai. A avaliação mediu as competências em matemática, leitura e ciências. O desempenho reflete as ações da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), que reformulou a carga horária e as matrizes curriculares nos últimos anos.

Os alunos paulistas superaram a média nacional nas três áreas do conhecimento no Pisa 2025. O avanço local vai na contramão da tendência internacional do exame. Países desenvolvidos como Dinamarca, Noruega e Suécia registraram quedas de até 29 pontos na atual edição da prova.

O que motivou os resultados do Pisa 2025 em São Paulo

O Governo de São Paulo aplicou uma reforma na matriz escolar a partir de 2024. A rede pública aumentou o número de aulas de língua portuguesa e matemática para as turmas dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. O cronograma passou a incluir aulas de projeto de vida, educação financeira e orientação de estudos de forma obrigatória.

As opções de itinerários formativos do novo currículo sofreram redução estrutural. A gestão estadual substituiu as 11 opções anteriores por apenas três caminhos de especialização para os jovens: Exatas, Humanas e Ensino Médio Técnico. Essa padronização dialoga diretamente com as competências exigidas em avaliações como o Pisa 2025.

Tutoria e recuperação de defasagens

A recomposição das perdas educacionais do período da pandemia exigiu estratégias direcionadas. O programa de Tutoria de Aprendizagem iniciou suas atividades no segundo semestre de 2024 e ganhou escala. O projeto abrange atualmente mais de 230 mil estudantes do 6º ao 9º ano, sob a supervisão de 3.500 professores tutores.

As classes de nivelamento funcionam com turmas reduzidas, contendo entre 10 e 15 alunos por sala. A iniciativa utiliza a metodologia do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). Avaliações sequenciais mostraram que os estudantes do projeto-piloto evoluíram até 2,9 vezes mais rápido que os alunos regulares.

Robótica, idiomas e ciência na prática

O planejamento pedagógico integrou conceitos práticos ao dia a dia escolar. A disciplina de educação financeira ensina planejamento de orçamento, uso do crédito e prevenção ao endividamento. Nas aulas de tecnologia e inovação, 423 mil alunos participaram de projetos e concluíram mais de 3 milhões de atividades de robótica.

O ensino de novos idiomas e de tecnologia ganhou suporte de ferramentas digitais massivas. A plataforma de inglês SPeak atendeu 1,7 milhão de estudantes com taxa de acesso de 94,8%. O ambiente virtual Alura levou noções de programação em Python, ciência de dados e inteligência artificial para 1,2 milhão de jovens da rede pública.

A redução da desigualdade escolar no Pisa 2025

A aproximação das notas do ensino público em relação ao sistema privado representa outro indicador relevante do ciclo. São Paulo atingiu a menor distância de desempenho entre as duas redes de ensino entre os dez estados brasileiros com as melhores colocações no ranking.

Na prova de ciências, foco principal da atual edição, a diferença de pontuação da rede paulista foi 23,5 pontos menor que a observada em Minas Gerais, o segundo colocado nesse recorte. O estreitamento dessa lacuna histórica consolida a efetividade das medidas aferidas no Pisa 2025.

Thiago Antunes

  • Publicado: 10/09/2026 14:52
  • Alterado: 10/09/2026 14:52
  • Autor: Thiago Antunes