PF conclui inquérito das fraudes no Banco Master em agosto
Investigação sobre o Banco Master aponta indiciamento de Daniel Vorcaro e ex-presidente do BRB por fraude bilionária
- Publicado: 22/07/2026 16:08
- Alterado: 22/07/2026 16:08
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: ABC do ABC
A Polícia Federal (PF) prepara para as próximas semanas o encerramento da fase inicial do inquérito que apura um amplo esquema de fraudes financeiras envolvendo a cúpula do Banco Master. A previsão dos investigadores é concluir o relatório final até meados de agosto de 2026, apresentando formalmente os pedidos de indiciamento dos principais envolvidos.
Na lista de alvos da corporação devem figurar o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro (atualmente custodiado na estrutura prisional conhecida como Papudinha), o executivo Augusto Lima e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
Apesar da conclusão desta primeira etapa, a PF não descarta a abertura de novos inquéritos desmembrados para aprofundar ramificações do esquema descoberto durante as apurações.
Tentativas Frustradas de Delação e Envolvimento Político

Ao longo do processo, tanto Daniel Vorcaro quanto Paulo Henrique Costa sinalizaram interesse em fechar acordos de delação premiada. Contudo, as propostas foram rejeitadas duas vezes pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por falta de indícios e elementos de prova suficientes.
O inquérito também debruça-se sobre a atuação de articulações políticas que atuavam em defesa da instituição financeira no Congresso Nacional. Entre os nomes sob análise dos investigadores está o do senador e presidente do PP, Ciro Nogueira.
A suspeita recai sobre a apresentação de uma emenda parlamentar para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o teto de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Embora Nogueira negue qualquer intenção de favorecimento, os investigadores reuniram indícios de que a proposta visava beneficiar diretamente a captação do Banco Master.
Carteiras Fraudulentas de R$ 12 bilhões e Rombo no FGC
O núcleo central da investigação apontou que as fraudes tinham como objetivo maquiar a saúde financeira da instituição para viabilizar sua venda ao BRB. Como parte da manobra, o Banco Master vendeu R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas, sem o devido lastro financeiro ou com títulos inexistentes — ao banco público do Distrito Federal, utilizando a empresa intermediária Tirreno.
Além das transações com o BRB, o inquérito dimensiona o prejuízo bilionário gerado ao Fundo Garantidor de Crédito, estimado em R$ 50 bilhões:
- Captação Agressiva: O Master comercializava Certificados de Depósito Bancário (CDBs) prometendo taxas de retorno fora da realidade do mercado, usando a garantia original de R$ 250 mil do FGC como chamariz para atrair investidores;
- Asfixia Financeira: No dia em que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, o banco contava com apenas R$ 4 milhões em caixa, diante de compromissos imediatos que ultrapassavam R$ 100 milhões;
- Maquiagem de Ativos: A instituição utilizava uma rede descentralizada de fundos de investimento para inflar de forma fictícia seu patrimônio e tentar burlar a fiscalização regulatória antes de concretizar a fusão com o BRB.
Ataques Reputacionais e Próximos Passos

Outras frentes de apuração paralelas investigam a contratação de influenciadores digitais e profissionais de imprensa por parte da cúpula do banco. O objetivo da estratégia era promover campanhas de desinformação e ataques coordenados à imagem de diretores do Banco Central e a desafetos de Daniel Vorcaro.
Apesar das pressões políticas exercidas sobre o órgão regulador, o Banco Central reprovou a negociação de venda ao BRB e determinou a intervenção e liquidação da instituição.
Com a remessa do relatório da PF ao Ministério Público Federal, caberá à PGR analisar o conjunto probatório para apresentar denúncia criminal perante a Suprema Corte ou arquivar o caso. O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) deve ocorrer a partir de 2027.