Parque limpo da China inspira projeto no Brasil
Modelo do parque industrial sustentável criado na China será instalado no Brasil com aporte bilionário focado em combustíveis limpos
- Publicado: 09/08/2026 14:15
- Alterado: 09/08/2026 14:15
- Autor: Gabriel de Jesus
O primeiro parque industrial do mundo com saldo líquido zero de emissões de dióxido de carbono, instalado na Mongólia Interior, na China, tornou-se a nova vitrine de energia renovável da empresa Envision. O modelo chinês, focado na produção de baterias e turbinas eólicas, servirá de base para um investimento de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) planejado para o território brasileiro.
Como funciona a neutralidade de carbono no modelo chinês
A estrutura criada na China não elimina totalmente as emissões no processo manufatureiro. Trata-se de um cálculo contabilístico que compensa o volume de gases lançados na atmosfera por meio do equilíbrio entre geração renovável, armazenamento e gestão de carbono.
O docente da Faculdade Baruch, Gang He, ressalta a relevância estratégica da iniciativa, mas aponta ressalvas técnicas no modelo adotado na China:
“Trata-se de uma inovação importante, porque a descarbonização industrial exige exatamente esse tipo de coordenação entre energia limpa, armazenamento e demanda flexível.”
O especialista pondera que a medição na China costuma ser anual, o que permite a compensação contábil do uso de fontes fósseis em períodos sem geração solar ou eólica. Para alcançar o descarbonizado real, a verificação precisaria ocorrer de hora em hora.
O projeto sustentável e os planos para o mercado brasileiro
A regulação na China concede o selo de neutralidade a empreendimentos que atingem intensidade de carbono cerca de 90% inferior à média nacional. O vice-diretor da Comissão de Desenvolvimento e Reforma da Mongólia Interior, Huang Wenchuan, destaca o papel da iniciativa para atingir o pico de emissões do país até 2030:
“Apoiamos a participação de governos locais, empresas de parques, empresas de produção de energia, empresas de redes elétricas, empresas privadas e outros tipos de entidades na construção de parques de emissão zero, construindo uma comunidade de interesses.”
Anunciado em maio de 2025 durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, o complexo fabril brasileiro terá foco em hidrogênio verde, amônia e combustível sustentável de aviação. O professor Gang He avalia os cenários para a implementação local:
“A vantagem do Brasil é já ter um sistema elétrico relativamente limpo e forte experiência em biocombustíveis. O desafio é que o modelo chinês se apoia fortemente em política industrial coordenada, construção rápida de infraestrutura, cadeias de manufatura em larga escala e execução por governos locais. Essas condições podem ser mais difíceis de reproduzir.”
A Envision informou em nota que ainda não há definição sobre local, prazos ou cronograma das obras no Brasil, mantendo a avaliação de logística e estabilidade política antes dos anúncios oficiais do investimento vindo da China.