Ônibus elétricos mudam o transporte público no Brasil
Emplacamentos quase dobram em 2026, com São Paulo liderando a eletrificação das frotas urbanas
- Publicado: 21/07/2026 12:45
- Alterado: 21/07/2026 12:45
- Autor: Norberto Quintana/TranspoNews
- Fonte: Flashmotors
O mercado brasileiro de ônibus 100% elétricos encerrou o primeiro semestre de 2026 com 589 unidades emplacadas, crescimento de 92,5% em relação às 306 unidades no mesmo período de 2025. Se a comparação for feita com o primeiro semestre de 2024, o crescimento do mercado de ônibus elétricos é muito maior, representando 363,8%, o que evidencia a consolidação do processo de eletrificação do transporte público no Brasil. O volume registrado nos primeiros seis meses de 2026 já corresponde a 70% de todos os ônibus elétricos emplacados durante 2025, contando, para isso, com a contribuição da entrega dos 500 novos ônibus elétricos ao sistema municipal de transporte coletivo de São Paulo em junho.

Com a incorporação desse lote, a capital paulista ampliou sua frota para 1.759 coletivos eletrificados, entre veículos a bateria e trólebus (veículo conectado à rede elétrica pública), consolidando-se como o principal polo da eletrificação do transporte público no país. A dimensão da entrega evidencia a mudança de escala desse mercado, que deixa de estar associada apenas a projetos demonstrativos e passa a integrar programas estruturados de renovação das frotas urbanas.
O segmento de eletrificação do transporte coletivo já demonstrou capacidade operacional e benefícios ambientais importantes para as cidades. O desafio para o segmento é dar continuidade aos programas de financiamento, ampliar a previsibilidade das compras públicas e criar condições para que essa transformação alcance outras regiões do país, assim como municípios do interior.
Mercado cresce com renovação das frotas

Em junho deste ano, foram emplacados 278 ônibus elétricos no Brasil, com alta na ordem de 717,6% ante o mesmo mês do ano passado. O comparativo com 2024 eleva esse percentual para praticamente 3 mil por cento. Diferentemente do mercado de veículos leves, os emplacamentos de ônibus apresentam oscilações mensais mais acentuadas, pois as entregas estão diretamente vinculadas aos processos licitatórios, aos cronogramas de produção das fabricantes e aos contratos de renovação das frotas municipais.
Dessa forma, uma análise do resultado acumulado no semestre pode apresentar uma visão mais equilibrada da evolução do mercado, reduzindo o impacto das oscilações que podem ocorrer entre os meses. O crescimento dos ônibus elétricos no transporte público brasileiro indica que o segmento começa a superar uma fase caracterizada por projetos-piloto e passa a integrar programas permanentes de renovação das frotas municipais.

A Região Sudeste manteve a liderança do mercado brasileiro de ônibus elétricos no primeiro semestre, com 79,5% de participação. Esse resultado é puxado pelo Estado de São Paulo, que respondeu por 99% dos emplacamentos da região, impulsionado principalmente pelas aquisições feitas na capital paulista e por iniciativas de renovação das frotas em outros municípios do Estado.
A predominante concentração dos emplacamentos em São Paulo demonstra que a eletrificação do transporte coletivo ainda ocorre de maneira desigual no território brasileiro. Assim, a ampliação do mercado dependerá da entrada de novos municípios, além da criação de condições técnicas e econômicas que permitam a renovação das frotas também fora dos grandes centros urbanos.
Indústria nacional lidera a produção de ônibus elétricos

No primeiro semestre de 2026, nove fabricantes ofertaram 19 modelos de ônibus elétricos ao mercado, ampliando as opções disponíveis para diferentes demandas municipais. Desse total, cinco fabricantes produzem veículos em território nacional, enquanto quatro atuam com modelos importados. Dos 589 ônibus elétricos emplacados no semestre, 476 foram fabricados no Brasil, equivalente a 80% do total. Os 20% restantes foram importados.
O resultado reforça a capacidade produtiva de empresas instaladas no país, como Eletra, BYD, Mercedes-Benz, Volkswagen Caminhões e Ônibus e Marcopolo. Entre as fabricantes, a Eletra liderou os emplacamentos no período, com 38% de participação. A Mercedes-Benz ocupa a segunda posição, com 19,2% das vendas, seguida pela BYD, com 18,5%.
