Óculos inteligentes da Meta podem ser proibidos na Alemanha
Autoridades e especialistas alemães cobram veto total aos dispositivos após casos de filmagens ilegais em locais públicos e saunas.
- Publicado: 03/08/2026 16:08
- Alterado: 03/08/2026 16:08
- Autor: Thiago Antunes
O governo e órgãos reguladores alemães avaliam a proibição total dos óculos inteligentes da Meta após o aumento de denúncias sobre filmagens clandestinas em espaços públicos. A tecnologia, que ultrapassou 7 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, enfrenta forte resistência no país devido às rígidas leis de proteção à privacidade de dados.
As autoridades locais apontam que o sinalizador luminoso do aparelho é insuficiente para avisar terceiros de que estão sendo gravados. O comissário de proteção de dados Thomas Fuchs, encarregado da supervisão dos serviços da empresa na região, afirmou à emissora ARD que a dificuldade de identificar a câmera ativa justifica amparo legal para interromper a comercialização do produto.
“Óculos inteligentes com câmeras permitem gravações discretas, sem que as pessoas envolvidas percebam. E são justamente esses tipos de gravações que estão cada vez mais aparecendo nas redes sociais”, alertou em nota a organização de direitos digitais HateAid. A legislação alemã proíbe expressamente a captação e difusão de imagens de indivíduos sem o consentimento prévio.
Restrições nos óculos inteligentes da Meta e privacidade
Diversas cidades já aplicam sanções locais para conter o uso indevido dos vestíveis. Em Potsdam, o poder público municipal baniu os dispositivos em saunas e piscinas públicas, medida que o partido A Esquerda tenta replicar no parlamento de Hamburgo após relatos de filmagens não autorizadas de frequentadores em áreas de lazer.
Os questionamentos ultrapassam as fronteiras europeias. Nos Estados Unidos, o estado de Nova York vetou o acesso com os óculos inteligentes da Meta em tribunais após membros da equipe de segurança do CEO Mark Zuckerberg utilizarem o equipamento durante um depoimento judicial na Califórnia.
Outro escândalo envolveu a gestão do conteúdo capturado. Relatórios revelaram que trabalhadores terceirizados no Quênia revisavam manualmente vídeos gravados pelos usuários, incluindo material com nudez e conteúdo sexual explícito, desencadeando investigações internacionais e o cancelamento do contrato de auditoria.
Enquanto os debates jurídicos avançam na Europa, os óculos inteligentes da Meta continuam disponíveis para compra no mercado brasileiro, acendendo o alerta sobre a adequação dos dispositivos às normas nacionais de proteção de dados.