N’Golo Kanté: o coração silencioso da geração dourada da França

Volante deve disputar seu último jogo pelos Bleus neste sábado (18) e encerra uma trajetória marcada por títulos, regularidade e uma importância muito além das estatísticas

Crédito: Reprodução Youtube

A França encerrará sua participação na Copa do Mundo 2026 ao enfrentar a Inglaterra na disputa pelo terceiro lugar, e para N’Golo Kanté a partida pode representar muito mais do que isso. Segundo o jornal L’Équipe, o volante não faz parte dos planos de Zinédine Zidane para as próximas convocações e está prestes a encerrar uma trajetória de uma década com a camisa da seleção francesa.

Se a informação se confirmar, o duelo deste sábado marcará a despedida de um dos jogadores mais importantes da história recente dos Bleus. Um atleta que raramente ocupou as manchetes, mas que esteve presente em praticamente todos os momentos decisivos da geração que recolocou a França no topo do futebol mundial.

O início de tudo

A história de Kanté com a seleção começou em março de 2016, quando Didier Deschamps decidiu convocar o então meio-campista do Leicester City. Naquele momento, o francês já chamava atenção pela campanha histórica que conduzia os Foxes ao título da Premier League.

Poucos meses depois, ele disputava sua primeira grande competição internacional na EURO 2016. A França acabou derrotada por Portugal na final em pleno Stade de France, mas a competição serviu para consolidar Kanté como uma das referências do meio-campo francês. Sua capacidade de recuperar bolas, cobrir espaços e oferecer equilíbrio para companheiros mais ofensivos rapidamente o transformou em titular absoluto.

O auge na Copa de 2018

Em uma seleção que contava com nomes como Antoine Griezmann, Kylian Mbappé e Paul Pogba, Kanté desempenhava um papel menos chamativo, porém igualmente decisivo. Enquanto os atacantes resolviam os jogos e apareciam nas capas dos jornais, o volante era responsável por garantir que a equipe funcionasse coletivamente. Sua atuação durante o torneio foi tão dominante que muitos o consideraram um dos melhores jogadores daquela Copa do Mundo.

Não por acaso, o título conquistado em Moscou permanece como uma das maiores imagens de sua carreira. Enquanto os companheiros erguiam o troféu e celebravam diante das câmeras, Kanté mantinha a discrição que o acompanhou durante toda a trajetória.

As lesões e o retorno improvável

Nos anos seguintes, a França continuou competitiva e conquistou a Liga das Nações de 2021, mas a carreira internacional do volante passou a conviver com um novo obstáculo: as lesões. Problemas físicos frequentes reduziram sua sequência de jogos, incluindo sua participação no vice-campeonato da Copa de 2022, e colocaram em dúvida sua permanência entre os principais nomes da seleção.

Quando decidiu deixar o futebol europeu para atuar na Arábia Saudita, em 2023, muitos acreditaram que sua passagem pelos Bleus havia chegado ao fim. No entanto, Kanté voltou a surpreender.

Convocado para a EURO 2024, o meio-campista foi um dos grandes destaques franceses no torneio e demonstrou que ainda possuía as características que o transformaram em um dos melhores volantes de sua geração. A atuação na competição reabriu as portas da seleção e permitiu que ele prolongasse sua história até a Copa do Mundo de 2026.

Agora, o ciclo parece próximo do encerramento

Aos 35 anos, sua despedida acontece em um momento simbólico. Hugo Lloris já deixou a seleção. Raphaël Varane encerrou a carreira. Olivier Giroud e Antoine Griezmann também seguiram seus próprios caminhos. Paul Pogba nunca mais conseguiu recuperar o protagonismo que teve no passado. Aos poucos, os pilares da equipe campeã mundial de 2018 foram saindo de cena.

Sua importância pode ser medida de diversas formas, mas talvez nenhuma delas consiga explicá-la completamente. O legado de Kanté nunca esteve nos gols marcados, nas assistências distribuídas ou nos recordes individuais. Sua grande contribuição foi tornar melhores todos os jogadores que atuaram ao seu lado.

Quando Zidane divulgar suas próximas convocações e o nome de N’Golo Kanté não estiver presente, a França não perderá apenas um jogador experiente. Perderá um dos símbolos mais marcantes de sua era mais vitoriosa.

Porque, em uma geração repleta de estrelas, poucos foram tão essenciais quanto o homem que passou a carreira inteira brilhando em silêncio.

  • Publicado: 17/07/2026 09:42
  • Alterado: 17/07/2026 09:42
  • Autor: Vitor Bianco
  • Fonte: ABCdoABC

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