MP das bets gera protestos em placas do Brasileirão
Clubes da Série A e o IBJR utilizam os gramados para criticar a nova determinação federal que bane a operação de casas de apostas no país
- Publicado: 07/10/2026 22:12
- Alterado: 07/10/2026 22:18
- Autor: Leonardo Nogueira
O futebol nacional virou palco de um embate direto contra o governo. Gramados de nove partidas da 29ª rodada do Campeonato Brasileiro exibem mensagens duras contra a MP das bets. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a medida provisória para proibir a exploração e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. A restrição entrou em vigor nesta terça-feira (6).
Proibir não resolve o problema. Esse é o tom adotado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que lidera a ação de protesto nos estádios. A entidade lançou um manifesto questionando abertamente a eficácia da nova legislação.
O público que acompanha os jogos nesta quarta (7) e quinta-feira (8) verá painéis de LED com as seguintes cobranças contra a MP das bets:
- “Não se muda a regra no meio do jogo”
- “Proibir quem segue as regras favorece quem?”
- “Não é só o futebol que perde”
- “Quem lucra com as bets ilegais?”
- “A demanda não acaba, apenas muda de endereço”
Impacto financeiro da MP das bets nos clubes

A canetada federal atingiu os cofres esportivos em cheio. Quase todas as equipes da elite nacional mantêm contratos milionários com plataformas esportivas. Clubes precisaram correr contra o tempo para não perder essa injeção de capital. A saída imediata envolveu um drible jurídico criativo.
Times patrocinados pela Superbet, como São Paulo e Fluminense, alteraram suas camisas e os banners dos estádios por conta da MP das bets. Eles agora estampam a marca da Superscore, uma plataforma focada exclusivamente em estatísticas e análises esportivas. Essa manobra tenta preservar os acordos comerciais de forma paliativa enquanto o imbróglio jurídico se desenrola.
O avanço do mercado clandestino após a restrição
O apagão das plataformas regularizadas cria um vácuo perigoso na economia digital. O manifesto, que conta com a chancela da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), alerta que a proibição destrói o ambiente seguro construído recentemente. Apostadores brasileiros perdem suas garantias legais e de compliance da noite para o dia.
“A proibição não faz a procura por bets desaparecer. Ela apenas a empurra para as plataformas ilegais, que não oferecem as garantias e os mecanismos de proteção do mercado regulado.” — Carlos Lima, presidente do IBJR.
Para combater a desinformação, a entidade colocou no ar um portal educativo detalhando as proteções práticas que o mercado regulado oferece ao consumidor. A estratégia busca pressionar o poder público por uma revisão imediata do texto. Sem um diálogo técnico e transparente, a atual estrutura da MP das bets ameaça as finanças do esporte e joga o apostador direto na informalidade.